Brasil lidera conferência global contra combustíveis fósseis em Santa Marta

Caminho para um Futuro Sem Combustíveis Fósseis
A busca por alternativas ao uso de combustíveis fósseis ganhou novo impulso com a organização da 1ª Conferência sobre a Transição Longe dos Combustíveis Fósseis, que se inicia na sexta-feira (24) em Santa Marta, na Colômbia. O encontro reúne 45 países, representando cerca de um quinto da produção mundial de combustíveis e quase um terço do consumo, em um momento de crise de oferta de petróleo desencadeada pela situação no Irã.
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O Brasil, como anfitriã do evento, lidera essa iniciativa com a ministra Irene Vélez-Torres, que defende a criação de uma geopolítica global focada na eliminação dos combustíveis fósseis. A meta é reunir países dispostos a agir, indo além da simples vontade, e que estejam prontos para implementar soluções concretas.
A participação de grandes produtores como Austrália, Canadá, Noruega, Brasil e México, juntamente com países dependentes do carvão como Turquia e Vietnã, demonstra a amplitude do esforço.
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Desafios e Resistências na Transição
Apesar do interesse global, a conferência enfrenta desafios. A ausência de países como Estados Unidos (com a política de Donald Trump) e Arábia Saudita e Rússia, que ainda apostam no petróleo, enfraquece o movimento. A China, embora crescente no setor de energias renováveis, também não enviará representantes.
A organização do evento busca incluir especialistas, comunidades indígenas e tradicionais, cientistas e organizações internacionais, com o objetivo de elaborar o chamado “Mapa Internacional do Caminho para a Eliminação Total dos Combustíveis Fósseis”, uma proposta que já conta com o apoio de 80 países na COP30.
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Pilares para uma Mudança Real
A ministra colombiana, Irene Vélez-Torres, destaca três pontos cruciais para uma transição energética efetiva, especialmente para os países do Sul Global: a garantia de uma economia produtiva e não extrativista, a eliminação dos subsídios ao consumo e à produção de hidrocarbonetos, e a reavaliação das dívidas externas para financiar energias renováveis e a economia produtiva.
A eliminação dos subsídios, que distorcem o mercado energético, é vista como urgente.
Perspectivas Globais
A história recente mostra que choques no fornecimento de petróleo, como os ocorridos em 1973 e 1979, impulsionaram a busca por soluções tecnológicas. Os Estados Unidos, com sua vasta reserva de petróleo, se beneficiam do aumento dos preços, enquanto a China busca diversificar seus fornecedores.
A China, por sua vez, aposta em longo prazo na transição energética, investindo em tecnologias inovadoras e em cadeias produtivas. O professor Nivalde José de Castro, da UFRJ, ressalta que a China tem uma escala de produção maior, o que lhe permite reduzir custos e acelerar a transição.
Autor(a):
Pedro Santana
Ex-jogador de futebol profissional, Pedro Santana trocou os campos pela redação. Hoje, ele escreve análises detalhadas e bastidores de esportes, com um olhar único de quem já viveu o outro lado. Seus textos envolvem os leitores e criam discussões apaixonadas entre fãs.



