Brasil em Alerta: Militarização e Crise de Soberania Após Ação Americana na Venezuela

Alerta em Brasília após ação EUA na Venezuela! Brasil monitora situação e avalia riscos com Washington. Operação Atlas expõe fragilidades na defesa nacional. Crise expõe falta de dissuasão e reforça a necessidade de modernização militar

6 min de leitura

(Imagem de reprodução da internet).

Alerta Estratégico em Brasília Após Ação Americana na Venezuela

Apesar da ausência de escalada imediata na fronteira com a Venezuela, um incidente, desencadeado pela ação americana, acendeu um alerta estratégico em Brasília. Militares brasileiros consideram o episódio um marco regional, enquanto o governo de (PT) busca calibrar uma resposta pública que condena a violação da soberania venezuelana sem ampliar atritos com Washington, às vésperas do ciclo eleitoral.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Nos bastidores, a avaliação é que o Brasil tenta reduzir o risco de ser arrastado para um cenário de coerção regional.

Preocupações e Medidas do Governo

A principal preocupação é a criação de precedentes para intervenções militares na América Latina. Uma eventual nova onda migratória em direção a Roraima também entrou no radar do governo como possível desdobramento indireto da crise. O governo busca manter uma agenda pragmática com Washington, ao mesmo tempo em que reafirma princípios de soberania e não intervenção.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Análise Militar e Operacional

Do ponto de vista operacional, a leitura das Forças Armadas é que o país dispõe de instrumentos para absorver um eventual estresse humanitário. A Operação Yanomami, iniciada em 2018 para receber venezuelanos, é citada como referência para a gestão de fluxos migratórios em larga escala.

Além disso, o dispositivo militar na Amazônia já vinha sendo ajustado desde 2023, em razão da disputa entre Venezuela e Guiana.

LEIA TAMBÉM!

Operação Atlas e Limitações Estruturais

O movimento prévio reduziu a necessidade de reforços emergenciais após a ação americana. A Operação Atlas, realizada de junho a dezembro de 2025, escancarou o custo e a complexidade de mobilizar tropas e equipamentos para a região amazônica, que, na doutrina, já é prioridade, mas, na prática, segue limitada por infraestrutura e orçamento.

A operação contou com o deslocamento estratégico de 3.400 militares das 3 Forças Armadas (Exército, Marinha e Aeronáutica), incluindo 1.500 fuzileiros navais, além de navios de guerra, helicópteros, drones e blindados anfíbios para áreas da Amazônia e do litoral.

Desafios e Vulnerabilidades

Apesar da tranquilidade, não significa ausência de vulnerabilidades – especialistas fazem essa ressalva. Entre os militares, a operação dos EUA é vista como uma demonstração de capacidade de deslocamento, integração de meios e superioridade tecnológica: o tipo de movimento conjunto que o Brasil passou a reforçar em grande escala só mais recentemente, com a Operação Atlas, do Ministério da Defesa.

Custos e Investimentos

A operação dos EUA reforçou discussões antigas sobre a capacidade de defesa do Brasil. O país investe pouco mais de 1% do PIB no setor, percentual inferior à média global, próxima de 2%. Países da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) assumiram compromisso de elevar os gastos para 5%.

O orçamento do setor está em queda contínua há pelo menos 10 anos. Com isso, grande parte é destinada a salários e pensões, o que limita investimentos em equipamentos e tecnologia. Projetos estratégicos sofrem atrasos recorrentes. Um dos exemplos é o Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras (SIMF), do Exército, que avança mais lentamente do que o planejado por restrições orçamentárias.

Desafios na Dissuasão

Entre oficiais brasileiros, chamou atenção a ausência de reação militar da Venezuela. O país já foi considerado dono de um dos sistemas antiaéreos mais robustos da América do Sul, mas não apresentou resposta visível à ação norte-americana.

A leitura é que faltou capacidade de dissuasão. Para militares, o episódio reforça a necessidade de manter meios mínimos para impor custos a qualquer agressor. O coronel da reserva Paulo Filho, mestre em Ciências Militares, resume o conceito nos “3 Cs da dissuasão”: capacidade, credibilidade e comunicação.

Sem a percepção de que o país usará seus meios, a dissuasão perde efeito.

Inteligência e Coordenação

A avaliação é que o Brasil não teria como impedir a entrada de uma potência nuclear em seu território, mas pode elevar o custo de permanência. A dissuasão brasileira é considerada “relativa”, baseada na dimensão continental, na profundidade estratégica e na complexidade logística.

Inteligência e contrainteligência também são temas de debate, com especialistas defendendo maior integração entre serviços secretos e operações militares. O almirante da reserva Ruy de Almeida Silva, pesquisador do Instituto de Estudos Estratégicos da Universidade Federal Fluminense, ressalta a necessidade de repensar o papel da inteligência.

A Abin (Agência Brasileira de Inteligência) não comentou o tema, sob a justificativa de sigilo da atividade.

Relações Diplomáticas e Integração

A crise também expôs fragilidades na articulação entre o Itamaraty e o Ministério da Defesa. Especialistas dizem que o diálogo ainda é insuficiente para responder a crises complexas. Maurício Santoro, cientista político que colabora com o Centro de Estudos Político-Estratégicos da Marinha, destaca a necessidade de melhorar a integração entre os dois ministérios.

O Itamaraty afirmou que trabalha em estreita coordenação com o Ministério da Defesa em diversos temas comuns, inclusive no que se refere ao monitoramento e atuação em cenários de crise.

Aliança Estratégica e Pragmatismo

Militares ressaltam que a doutrina das Forças Armadas brasileiras é historicamente alinhada à dos EUA. O Brasil é um aliado extra-Otan dos norte-americanos e mantém, há décadas, uma cooperação contínua, com acordos e planos de ação conjuntos com os EUA, que independe das flutuações das relações diplomáticas e comerciais mais amplas.

Uma escalada verbal do governo poderia gerar desgaste na cooperação técnica e na interoperabilidade. Por isso, a prioridade é manter uma agenda pragmática com Washington, ao mesmo tempo em que o Planalto reafirma princípios de soberania e não intervenção.

Um possível ponto de inflexão nos bastidores é a comparação com o impacto regional da Guerra das Malvinas, em 1982, que impulsionou um movimento de modernização militar.

Fluente em quatro idiomas e com experiência em coberturas internacionais, Ricardo Tavares explora o impacto global dos principais acontecimentos. Ele já reportou diretamente de zonas de conflito e acompanha as relações diplomáticas de perto.

Sair da versão mobile