Brasil cai para 65º lugar no Ranking Mundial de Competitividade, o pior desempenho em anos
O Brasil enfrenta desafios significativos em sua competitividade, com a alta taxa de juros e a instabilidade econômica prejudicando investimentos e crescimento
O Brasil registrou uma queda de sete posições no Ranking Mundial de Competitividade, ocupando agora o 65º lugar entre 70 economias avaliadas. Esse resultado representa o pior desempenho do país nos últimos anos. A análise foi feita por Carla Beni, professora da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e membro do Conselho Regional de Economia do Estado de São Paulo (Corecon-SP), em entrevista à CNN.
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Fatores que Impactaram a Competitividade do Brasil
Beni destacou que, embora houvesse aspectos positivos no desempenho brasileiro, os fatores negativos superaram as melhorias. O principal problema identificado foi o elevado custo de capital, que afeta diretamente os investimentos das empresas. “O custo do capital é um ponto crítico, pois as empresas estão investindo menos devido à alta taxa de juros”, afirmou Beni, enfatizando que essa situação coloca o Brasil em uma posição desfavorável até mesmo em comparação com suas próprias empresas.
Além do custo de capital, a professora mencionou outros fatores estruturais que contribuem para a baixa competitividade do Brasil. Entre eles, estão a deficiência na educação financeira da população e a falta de diversidade linguística. Em relação à taxa Selic, Beni apontou dois elementos que pressionam as expectativas do mercado financeiro: a instabilidade do cenário externo e a inflação interna crescente. “A instabilidade é significativa e pode afetar acordos em andamento”, disse.
Desafios Internos e Projeções para a Taxa de Juros
Beni ressaltou que o Brasil possui a maior taxa real de juros do mundo. “Quando se desconta a inflação da Selic, o resultado é alarmante. Isso inviabiliza tanto as empresas quanto as famílias, refletindo no alto índice de inadimplência no país”, explicou.
A professora comparou as projeções do mercado financeiro ao Boletim Focus com um GPS que constantemente revisa suas rotas, destacando que há expectativa de que o Banco Central mantenha os cortes na taxa de juros em 0,25 ponto percentual ou suspenda novas reduções.
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Ela observou que desde 2022 a taxa Selic permanece em dois dígitos e questionou como isso poderia ser sustentado em um cenário econômico já desafiador. Além disso, Beni lembrou que a Selic é eficaz apenas para combater um dos quatro tipos de inflação — a inflação de demanda — enquanto outras causas permanecem sem solução adequada.
Pontos Positivos Identificados no Ranking
Apesar dos resultados negativos, Beni também trouxe à tona alguns aspectos positivos destacados pelo levantamento. O investimento estrangeiro direto foi apontado como um dos pontos fortes do país: “Nos últimos anos, o Brasil tem sido o segundo país que mais atrai investimentos”, declarou.
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Outros avanços notáveis incluem o desempenho em energia renovável e melhorias na atividade empreendedora inicial, evidenciadas pela diminuição da taxa de fechamento de empresas nos primeiros três anos.
Ainda segundo Beni, os subsídios governamentais colocam o Brasil na quinta posição neste indicador específico dentro do ranking global. Ela concluiu afirmando que “o motor de investimento é sempre o setor público em qualquer lugar do mundo”, destacando sua importância para impulsionar a economia.