Brasil avalia nova oportunidade nas importações americanas de carne

Brasil analisa impacto da nova cota americana de carne magra nas relações comerciais globais.

Decisão do governo Trump elevará em 300 mil toneladas o volume de carne magra que entrará nos EUA com imposto reduzido nos próximos 90 dias | Agência Brasil

O setor de carnes bovinas brasileiro avalia positivamente o anúncio dos Estados Unidos sobre a ampliação da cota de importação para carne magra com tarifa reduzida. A medida foi oficializada pelo presidente Donald Trump na quarta – feira passada e deve beneficiar significativamente os exportadores nacionais.

Segundo as associações do ramo frigorífico e exportador, que receberam o decreto presidencial em Washington DC., esta nova oportunidade pode ser crucial neste momento de pressão no comércio internacional global.

Detalhes da Nova Cota Americana

A decisão estabelece um período promocional nos EUA: haverá tarifas menores durante 90 dias consecutivos, valendo até lá por volta de novembro.

Neste intervalo temporal, a cota mensal será elevada para impressionantes 100 mil toneladas. No entanto, há condições específicas anexadas ao acordo; os produtos deverão ter preços comercializados na América do Norte com uma redução mínima de 25% em relação aos valores praticados atualmente.

É importante notar que o benefício se restringe às chamadas carnes magras (lean beef trimmings), material idealmente utilizado tanto no preparo de hambúrgueres quanto na produção de carne moída e não abrange cortes inteiros da bovina brasileira.

Análise das Associações: Oportunidade ou Cautela?

As associações setoriais apresentaram visões distintas sobre a nova cota. A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes, por exemplo, vê um potencial positivo para os exportadores brasileiros em geral.

Contudo, essa mesma entidade expressa cautelosa preocupação com o requisito dos EUA que exige preços mais baixos no mercado norte – americano; segundo eles, tal exigência limita ganhos imediatos na margem operacional da indústria nacional.

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Mercados Complementares. A Abiec também ressalta que este novo espaço nos Estados Unidos não deve ser visto como substituto do volume já destinado à China. Segundo a associação, chineses e americanos demandam perfis distintos de produtos, tornando esses mercados complementares dentro da estratégia brasileira para diversificar suas exportações em geral.

Impacto Estratégico nas Frigoríficos

Em tom diferente, os frigoríficos demonstraram um otimismo maior com o anúncio feito pelo governo Trump. Para eles, esta medida chega justamente num momento considerado especialmente importante para todo o setor brasileiro.

“Ela poderá contribuir significativamente para mitigar possíveis efeitos causados pela redução ou esgotamento das cotas destinadas ao mercado chinês”, afirmou Paulo Mustefaga, presidente do grupo e representando a Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo.

Para Abrafrigo, abrir uma alternativa adicional no norte – americano é vital em período onde há grande pressão sobre as transações comerciais internacionais.

Desafios Regionais na Implementação

Apesar da recepção positiva geral à notícia, os líderes setoriais apontaram desafios regionais. A associação alertou que estados como Pará, Acre e Maranhão ainda não poderão se beneficiar diretamente desta cota porque suas plantas produtivas sequer estão habilitadas para exportarem carne bovina aos EUA.

Por isso, a entidade cobrou do setor o avanço contínuo nas etapas de habilitação das fábricas localizadas nos novos Estados brasileiros. Esse esforço é fundamental garantir que as oportunidades criadas pelo comércio exterior alcancem um número cada vez maior possível de empresas produtoras.