Brasil atinge endividamento recorde em 2026: 80,4% das famílias estão no vermelho!

Endividamento Recorde no Brasil em 2026
O Brasil enfrenta um momento histórico de endividamento. De acordo com dados da CNC (Confederação Nacional do Comércio), 80,4% das famílias estão endividadas, enquanto aproximadamente 27,5 milhões de pessoas têm o nome negativado devido à inadimplência, ou seja, não conseguem cumprir com suas obrigações financeiras.
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Levantamentos recentes indicam que, mesmo com o aumento da renda e taxas de desemprego historicamente baixas, a situação se agrava com uma taxa básica de juros de 14,75% e juros reais de 9,51%, dificultando o pagamento das dívidas.
Apesar disso, 2025 foi um ano recorde para a concessão de crédito, com dezembro registrando R$ 406,61 bilhões em empréstimos para pessoas físicas, impulsionado pela facilidade de acesso ao crédito no período pós-pandemia. O alto custo do crédito, aliado ao elevado nível de endividamento, gera um efeito cascata complicado de controlar, tornando o crédito um dos principais fatores que afetam a saúde financeira das famílias.
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Análise dos Especialistas
Em um artigo recente, especialistas do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre) discutem as causas desse fenômeno e destacam o conceito de “retroalimentação” da dívida como um elemento central. Os economistas Flávio Ataliba Barreto, Pedro Avelino e João Mário Santos de França afirmam que, embora o crédito no Brasil continue a crescer, essa expansão é desigual para as famílias.
Enquanto o crédito agregado aumenta, impulsionado principalmente pelo mercado de títulos e pelo financiamento do setor público, as famílias permanecem mais expostas ao crédito bancário tradicional, que apresenta taxas significativamente mais altas, chegando a cerca de 62% ao ano.
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A situação se agrava ainda mais no caso do crédito rotativo do cartão de crédito. Nesse modelo, quando o consumidor não paga o valor total da fatura, o saldo é transferido para o mês seguinte com juros elevados, resultando em um efeito de “bola de neve”.
Segundo o Banco Central, atualmente, o gasto das famílias com cartão de crédito consome 54% do orçamento familiar, o que representa uma das linhas mais onerosas do sistema financeiro, contribuindo para o aumento do custo médio do crédito às famílias.
Fatores que Influenciam o Custo do Crédito
O relatório do FGV Ibre ressalta que a alta taxa Selic não é o único fator que contribui para o elevado custo do crédito. Outros elementos, como o custo de captação dos bancos, a inadimplência, despesas administrativas, tributos, contribuições ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e as margens financeiras das instituições, também têm impacto.
Assim, o custo final do crédito no Brasil reflete não apenas o cenário macroeconômico, mas também a eficiência da intermediação financeira.
Nesse contexto, a inadimplência desempenha um papel crucial: quando aumenta, eleva o risco das operações e pressiona ainda mais as taxas, criando um ciclo de retroalimentação. Essa dinâmica sugere que o alto custo do crédito e o elevado endividamento das famílias são problemas estruturais e desiguais.
Enquanto grandes empresas e o setor público conseguem se financiar por meio do mercado de capitais, com condições mais favoráveis, as famílias continuam dependentes do crédito bancário tradicional, que é mais caro e suscetível às variações da política monetária.
Possíveis Soluções para o Endividamento
Frente a essa situação, duas abordagens são sugeridas. A primeira envolve a redução do custo do crédito e a melhoria da qualidade do endividamento, incentivando a migração para linhas de crédito mais acessíveis e fortalecendo mecanismos de prevenção ao superendividamento.
A segunda estratégia se concentra na construção de trajetórias fiscais sustentáveis e no controle da inflação, algo que não se concretizou em março, quando a inflação foi pressionada pelo chamado “efeito guerra”. Esse cenário já impacta as expectativas para a política monetária.
De acordo com André Braz, economista do FGV Ibre, há uma alta probabilidade de nova pressão inflacionária em abril: “Se abril de 2026 apresentar índices superiores aos de abril de 2025, a inflação se aproximará ainda mais do teto da meta de 4,5%”.
Se essa situação se confirmar, as projeções para 2027 e 2028 também poderão ser revisadas, com o último ano apresentando índices acima do centro da meta estabelecida pelo Banco Central. A persistência de uma inflação elevada tende a manter os juros altos por mais tempo, e, segundo os analistas, juros reais mais baixos são essenciais para um sistema de crédito mais equilibrado.
Autor(a):
Júlia Mendes
Apaixonada por cinema, música e literatura, Júlia Mendes é formada em Jornalismo pela Universidade Federal de São Paulo. Com uma década de experiência, ela já entrevistou artistas de renome e cobriu grandes festivais internacionais. Quando não está escrevendo, Júlia é vista em mostras de cinema ou explorando novas bandas independentes.



