Brasil apresenta metas ambiciosas para neutralizar degradação da terra em 2030

A Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação (UNCCD), sediada em Ulaanbaatar, na Mongólia, reúne até 197 países neste mês de agosto.
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O principal foco dos debates é traçar estratégias contra a degradação terrestre, desertificações avançadas e secas severas que afetam regiões globalmente diversas. A pauta vai além da formação clássica de desertos; ela aborda como recuperar áreas degradadas do solo, gerir recursos hídricos eficientemente, manejar pastagens sustentavelmente e garantir segurança alimentar nas populações mais vulneráveis.
Metas brasileiras no combate à degradação
Neste encontro internacional, o Brasil apresentou suas metas ambiciosas para combater os impactos ambientais em seu território nacional. O país possui uma Meta Voluntária de Neutralidade da Degradação da Terra estabelecida até 2030.
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Para cumprir esse objetivo voluntário, a nação planeja aplicar manejo sustentável e conservação sobre cerca de 3,51 milhões de km², com foco especial na recuperação direta de um mínimo de 163 mil quilômetros quadrados do solo degradado.
Desafios técnicos e políticos no cenário brasileiro
Apesar dos planos apresentados internacionalmente, o especialista Natham Ribeiro Martins aponta que os desafios internos são complexos. Segundo ele, há uma grande quantidade de passivos ambientais ligados ao avanço climático em regiões como onde se expande o semiárido para dentro da área do cerrado.
O professor também critica a agropecuária tradicional por seu uso inadequativo do solo; práticas sem conservação eficazes ou excesso na utilização de agrotóxicos — alguns proibidos globalmente mas ainda usados aqui —, agravam muito o quadro ambiental nacional.
Críticas e demandas das comunidades tradicionais
As negociações internacionais estão sendo alvo de críticas pela sociedade civil organizada e povos indígenas devido à exclusão temática, especialmente no que tange aos direitos de gênero. Os grupos cobram mais participação direta em recursos destinados ao resgate dos seus territórios ancestrais.
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“Ignorar as comunidades tradicionais é ignorar quem detém técnicas valiosas para a preservação,” alerta Natham Ribeiro Martins. Ele destaca essas populações por manterem biomas naturais com taxas impressionantes de até 95% de conservação onde vivem.”
Financiamento insuficiente compromete ações globais
Um obstáculo crucial na COP 17 permanece sendo o financiamento necessário para colocar todas estas medidas ambientais complexas em prática no campo e nas políticas públicas do mundo. Os anúncios feitos durante esta edição da conferência somam US 1,3 bilhão; contudo, esse valor ainda está muito aquém dos cerca de US 278 bilhões estimados como necessários apenas para a restauração das terras ou enfrentamentos contra secas.
Por causa desse déficit financeiro gigantesco, os países estão discutindo ativamente formas mais eficazes de envolverem o setor privado. O objetivo é criar mecanismos financeiros que consigam atrair investimentos robustos tanto para projetos de conservação quanto para adaptação climática em geral.
Autor(a):
Júlia Mendes
Apaixonada por cinema, música e literatura, Júlia Mendes é formada em Jornalismo pela Universidade Federal de São Paulo. Com uma década de experiência, ela já entrevistou artistas de renome e cobriu grandes festivais internacionais. Quando não está escrevendo, Júlia é vista em mostras de cinema ou explorando novas bandas independentes.



