Brammer propõe Uthope para conectar Brasil ao Fórum Econômico Mundial
Brammer lança Uthope para impulsionar conexões Brasil Fórum Econômico Mundial com foco em transição energética.
Para Guilherme Brammer, o Brasil possui ativos valiosos que vão muito além da exportação de commodities: trata – se do potencial em transição energética, segurança alimentar e bioeconomia.
O empreendedor vê nesse cenário uma oportunidade única para posicionar o país como um líder na nova economia global — embora ainda seja “um dos últimos a transformar essas patentes em negócio”. Essa lacuna entre soluções verdes nacionais prontas e sua capacidade real de serem vendidas ao mercado mundial é justamente onde ele concentra seu foco profissional.
Segundo fundador da startup Boomera (que vendeu no final de 2023), essa missão exige mudar radicalmente o modelo tradicional brasileiro de comércio exterior.
A ponte tecnológica: Uthope conecta Brasil aos grandes compradores
Brammer anunciou duas frentes principais para concretizar esse objetivo, começando por abrir as portas do ecossistema internacional do Fórum Econômico Mundial para empresas brasileiras em encontros estratégicos como o Summer Davos na China, que ocorrerá neste mês de junho. Em paralelo a isso surge um novo projeto chamado Uthope. A startup tem estreia marcada para 6 de outubro e foi criada com uma missão clara: conectar patentes e tecnologias desenvolvidas no país diretamente ao mercado financeiro global e àqueles grande compradoras.
O nome Uthope é resultado da fusão entre “utopia” (um lugar ideal pelo qual se luta) e esperança; além disso, ele incorpora a letra ‘u’, presente também nas raízes do tupiniquim — representando ação ou verbo —, resumindo o propósito como fazer essa utópica espera acontecer na prática.
Segundo Brammer, esta nova empresa visa aproximar empreendedores que criam soluções inovadoras dos compradores certos nesse ecossistema. Ele detalhou ainda uma tese central para seu trabalho: o conceito de “triângulo quebrado”.
O triângulo quebrado em Davos e no mercado global
Para formar esse “triângulo”, são necessários três pilares interconectados – um empreendedor de impacto social; a grande corporação compradora; e os investidores do mercado financeiro — mas ele aponta que esses grupos não se comunicam ou conectam adequadamente Não é só o empreendedor social que desconhece como vender, nem mesmo as grandes empresas sabem comprar.
Leia também
O gargalo também está na forma como o mercado financeiro enxerga riscos,” explica Brammer.
A experiência dele ao integrar o grupo seleto dos conselheiros – seniores (executive fellows) no Centro para Natureza e Clima em Davos foi fundamental nessa visão estratégica. Ele relatou ter recebido um curso de dez dias sobre mudanças sistêmicas realizado por Harvard; uma vivência considerada “transformadora”.
Estratégia internacional: China versus a tradição
Embora mantenha presença nos eventos tradicionais, ele tem priorizado os Annual Meeting of the New Champions — conhecido como Summer Davos —, que acontece anualmente na China. Ele destaca essa diferença entre encontros ao afirmar que enquanto “Davos é mais emblemático e difícil acesso”, o encontro chinês discute não apenas o ano corrente, mas sim os próximos dez anos.
Essa plataforma permite discutir as principais tendências globais com pessoas de diversas partes do mundo.
Essa experiência reforça para Brammer uma visão poderosa sobre posicionamento geopolítico no Brasil; “Você pode ver o chineses tanto como inimigo quanto parceiro: você escolhe qual será esse jogo”. Ele aponta a transformação histórica da cidade – sede Shenzhen — antes um vilarejo costeiro pequeno —, hoje sendo comparada ao Vale do Silício Chinês.
Para 2027 já traçou planos concretos que incluem levar empresas brasileiras acompanhando sua missão em Summer Davos, além de estabelecer parcerias formativas. Uma dessas é junto à IMD (programa voltado a executivos e empreendedores brasileiros), com etapas online seguidas por uma semana presencial na sede da universidade, localizada em Lausanne, Suíça.
O desafio estrutural dos negócios verdes no Brasil. Apesar desse potencial evidente nas soluções ambientais — como o combustível sustentável de aviação feito pela macaúba ou perfumes extraídos sem derrubar árvores —, Brammer identificou um problema brasileiro: embora haja mais de 1.011 negócios de impacto mapeados pelo Pipe Social e Quintessae as soluções verdes respondam pelos 52% desses empreendimentos– há grande dificuldade para os próprios empresários.
Os dados apontaram que a principal barreira não é apenas capital, mas sim conexão; quase metade (41%) aponta acesso ao dinheiro enquanto dificuldades em parcerias, vendas e comunicação também são citadas.
Essa tese foi consolidada durante o documentário The Hope Economy (A Economia da Esperança), filme no qual ele também assina como idealizador. A produção percorreu mais de vinte territórios brasileiros — desde comunidades ribeirinhas até laboratórios na Amazônia —, reunindo relatos sobre um sentimento constante: “Das 70 pessoas entrevistadas, sessenta e nove falaram em esperança”.