A BP prevê perdas contábeis de até US$ 5 bilhões no quarto trimestre de 2025, impactando sua estratégia de energia de baixo carbono sob nova liderança.
A BP, gigante do setor petrolífero, projeta registrar entre US$ 4 bilhões e US$ 5 bilhões em baixas contábeis no quarto trimestre de 2025. Essas perdas estão principalmente relacionadas aos negócios de energia de baixo carbono, enquanto a empresa redireciona seus investimentos em petróleo e gás para aumentar os retornos sob a nova liderança, incluindo o presidente do conselho, Albert Manifold.
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Em um comunicado divulgado nesta quarta-feira (14), a companhia britânica informou que as baixas contábeis não serão consideradas no “lucro de custo de reposição subjacente”, que é uma versão do lucro líquido. Um porta-voz da BP não revelou quais projetos foram impactados por essas baixas.
A nova CEO, Meg O’Neill, assumirá o cargo em abril, substituindo a interina Carol Howle, após a saída inesperada de Murray Auchincloss no mês anterior. A BP busca melhorar sua lucratividade e o desempenho das ações, que têm ficado atrás de concorrentes como a Shell nos últimos anos.
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Há cerca de um ano, a BP já havia reduzido seus gastos anuais em negócios de transição energética de US$ 7 bilhões para um máximo de US$ 2 bilhões, iniciando uma mudança estratégica de foco para o petróleo e gás. A empresa planeja vender sua participação no grupo de energia solar Lightsource bp e dividiu o negócio de energia eólica offshore na joint venture JERA Nex BP.
A JERA Nex BP não obteve sucesso em um leilão de contratos de energia eólica offshore realizado pelo Reino Unido nesta quarta-feira (14). A joint venture havia se comprometido com centenas de milhões de dólares em 2021 para garantir direitos sobre o leito marinho local com a concessionária regional alemã EnBW.
A BP também alertou que a comercialização mais fraca de petróleo e a queda nos preços impactarão seus lucros no quarto trimestre. A empresa estima que os preços mais baixos do petróleo poderão reduzir os ganhos trimestrais em US$ 200 milhões a US$ 400 milhões, enquanto os preços do gás podem cortar outros US$ 100 milhões a US$ 300 milhões.
Os preços de referência do gás na Europa caíram 9% no período, e o petróleo bruto Brent teve uma média de US$ 63,73 por barril, abaixo dos US$ 69,13 registrados no terceiro trimestre, refletindo preocupações com o excesso de oferta nos mercados.
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Fluente em quatro idiomas e com experiência em coberturas internacionais, Ricardo Tavares explora o impacto global dos principais acontecimentos. Ele já reportou diretamente de zonas de conflito e acompanha as relações diplomáticas de perto.