Bonnie Tyler, cantora de “Total Eclipse of the Heart”
A influência de Bonnie Tyler na seleção argentina de 1986 destaca o poder da música como motivação e ritual em momentos decisivos do esporte.
A Argentina não teria conquistado o título da Copa do Mundo de 1986 sem a influência de uma música da cantora galesa Bonnie Tyler, que faleceu na última quinta – feira (9), aos 75 anos. Jogadores da seleção argentina, conhecida como Albiceleste, acreditavam que ouvir a canção no ônibus a caminho do Estádio Azteca era um ritual essencial para o sucesso durante o torneio.
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Esse hábito fazia parte das várias superstições do técnico Carlos Bilardo, que era conhecido por sua obsessão com detalhes e crenças místicas. O jornalista Andrés Burgo relata no livro “O Jogo —Argentina x Inglaterra, 1986” que a canção “Total Eclipse of the Heart” era uma das faixas obrigatórias na playlist que acompanhava os jogadores antes das partidas.
Além dela, a equipe ouvia também “Gigante Chiquito”, de Sergio Denis, e “Eye of the Tiger”, da banda Survivor, famosa pelo filme Rocky.
Rituais e superstições
A seriedade dessas superstições era tamanha que os atletas precisavam escutar as três músicas até o final. Em diversas ocasiões, o ônibus chegava ao estádio com a última canção ainda tocando nos alto – falantes. Somente quando a música terminava é que os jogadores desciam do veículo. “Quando tocava a do Rocky, nos motivava, nos sentíamos como parte do filme”, recorda Sergio Almirón, campeão do mundo em 1986, em seu depoimento para “O Jogo”.
Ricardo Giusti, outro membro daquela seleção campeã no México, compartilha: “A do Rocky tocava por último. Colocávamos quando faltavam duas quadras para chegarmos ao estádio. Precisávamos entrar no Azteca com essa canção.” Ele reforça que enquanto a música não terminasse, ninguém saía do ônibus.
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A herança musical de Bonnie Tyler
A música “Total Eclipse of The Heart” não foi a única composição de Bonnie Tyler a deixar sua marca na cultura popular argentina. Anos depois, sua canção “Its a Heartache” ganhou uma versão adaptada pelos torcedores descontentes com o desempenho da própria equipe.
A letra adaptada pedia aos jogadores mais empenho e garra em campo: “Jugadores… / La concha de su madre / A ver si ponen huevos / Que no juegan con nadie”.
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Essa adaptação se tornou um clássico nas arquibancadas argentinas e ainda ecoa nos estádios do país, lembrando uma conexão inesperada entre os esportes e a música que Bonnie Tyler nunca poderia ter imaginado ao compor suas canções.