Bolsonaro é indiciado pela PF por trama golpista e 25 aliados entram na lista

Bolsonaro e 25 aliados, incluindo ex-ministros e militares, respondem por golpe de Estado e organização criminosa.

Deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP)

O ex – presidente Jair Bolsonaro foi indiciado pela Polícia Federal no inquérito que apura a tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. A informação foi divulgada nesta quinta – feira (21) e faz parte do relatório final das investigações, que também indiciou outras 25 pessoas.

Entre os indiciados estão ex – ministros, militares de alta patente e aliados próximos do ex – presidente. O documento aponta supostos crimes de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado e organização criminosa.

O que diz a investigação da Polícia Federal

O relatório da PF concluiu que houve uma estrutura planejada para manter Bolsonaro no poder, mesmo após a derrota nas urnas. A investigação reuniu mensagens, depoimentos e documentos que indicam a atuação de um núcleo militar para pressionar as instituições.

As apurações tiveram como base a delação do ex – ajudante de ordens Mauro Cid, que detalhou reuniões e supostas tentativas de interferência no resultado eleitoral. A PF também analisou a minuta de um decreto que previa a decretação de estado de defesa no Tribunal Superior Eleitoral (TSE.

Os investigadores afirmam que os indiciados agiram de forma coordenada para desacreditar o sistema eleitoral e criar condições para uma ruptura institucional. O material coletado inclui conversas em grupos de mensagens e registros de encontros no Palácio do Planalto e na casa de Bolsonaro.

Quem são os indiciados

Além de Bolsonaro, a lista de indiciados inclui o ex – ministro da Defesa Walter Souza Braga Netto, o ex – comandante da Marinha Almir Garnier Santos e o ex – ministro do Gabinete de Segurança Institucional Augusto Heleno. Também foram indiciados o ex – diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) Alexandre Ramagem e o ex – ministro da Justiça Anderson Torres.

Militares como o coronel Marcelo Câmara e o major Ailton Barros, que integravam o chamado “núcleo duro” de apoio ao ex – presidente, também aparecem no relatório. Ao todo, a PF aponta a participação de civis e militares em diferentes frentes da suposta trama.

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Os nomes foram encaminhados ao Supremo Tribunal Federal (STF), que agora decide se aceita a denúncia da Procuradoria – Geral da República (PGR). Caberá ao ministro Alexandre de Moraes analisar o caso e determinar os próximos passos processuais.

Próximos passos do processo

Com o relatório concluído, a PGR terá prazo para apresentar a denúncia formal contra os indiciados. A expectativa é que o procurador – geral da República, Paulo Gonet, avalie as provas colhidas pela PF antes de decidir sobre o oferecimento das acusações.

Caso a denúncia seja aceita pelo STF, os acusados passam a responder a uma ação penal. A defesa de Bolsonaro ainda não se manifestou oficialmente sobre o indiciamento, mas já havia negado anteriormente qualquer envolvimento em tentativa de golpe.

A investigação corre em sigilo, e os detalhes do relatório só devem ser divulgados integralmente após a decisão da Corte. Até lá, os indiciados seguem sem prazo para depor novamente ou apresentar novas provas.