Bolsonaro e Flávio Bolsonaro discutem tarifa com EUA em audiência USTR
Bolsonaro e Flávio Bolsonaro buscam desdémos-lhe apoio dos EUA diante de investigação tarifária impulsionada por acusações políticas.
Representantes de entidades empresariais e do agronegócio que apoiam Jair Bolsonaro participarão em Washington DC., nesta próxima segunda – feira (6), numa audiência pública organizada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR.
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O encontro visa debater uma investigação comercial aberta contra o Brasil.
A participação na USTR faz parte das etapas finais desse processo mais amplo voltado a punir práticas comerciais estrangeiras consideradas injustas ou prejudiciais aos interesses americanos, segundo os organizadores da sessão.
O contexto político no debate sobre tarifas
As declarações políticas têm acompanhado de perto as discussões nos EUA envolvendo comércio e sanções ao país tropical. Em carta enviada à própria USTR, Flávio Bolsonaro afirmou que medidas como essa beneficiariam politicamente o governo atual do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT.
Ele acusou ainda o Planalto brasileiro de provocar tensões com Washington para manter altas taxas tarifárias contra produtos nacionais.
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Lula reagiu a esse tipo de posicionamento em nota: “É inaceitável que a família Bolsonaroqueira submeter o Brasil aos interesses dos Estados Unidos”. O líder petista reforçou seu compromisso diplomático declarando ser possível dialogar “de igual para igual” com qualquer nação mundial.
Declarações passadas sobre sanções e anistia
O deputado Eduardo Bolsonaro já havia se manifestado publicamente meses antes, defendendo medidas econômicas americanas restritivas. Em julho de 2025, ele alertou que uma eventual sobretaxa anunciada pelo presidente Donald Trump poderia fazer parte do uso estratégico das chamadas “alavancas” contra autoridades brasileiras no poder naquele momento.
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Na ocasião em Washington DC., o parlamentar citou instrumentos como a Lei Magnitsky ou até mesmo congelamento de bens e cancelamentos de vistos para pressionar as instituições nacionais. Ele também condicionou qualquer fim dessas tarifas à aprovação da anistia aos condenados pelos atos ocorridos em janeiro deste ano. Apoio ao campo
Representação dos setores ruralistas
Escopo técnico: O que investiga os EUA sobre comércio
O USTR iniciou essa investigação com base na Seção 301 do Ato Comercial americano, datado de 1974. Este mecanismo legal é usado justamente para apurar práticas comerciais consideradas prejudiciais ou injustas perante o mercado estadunidense.
Os temas sob análise são amplos e incluem desde regras complexas como proteção da propriedade intelectual até questões ambientais cruciais no Brasil — especificamente acesso ao mercado de etanol produzido a partir do desmatamento ilegal —, além dos serviços de pagamento eletrônico e tarifas classificadas pelos Estados Unidos em caráter “injusto”.
Para esta audiência pública que será dividida entre painéis na segunda (6) e terça – feira (7), foram registrados 85 pedidos formais. Entre os participantes estão grandes grupos empresariais, incluindo representantes das entidades Sociedade Rural Brasileira – representada por Marcelo Schunn Junqueira –, União da Indústria de Cana de Açúcar e Bioenergia (Unica), com Welber Barral; Confederação Nacional da Indústria (CNI); Companhia Siderúrgica Nacional; Klabin, Bauducco e Abimaq.
Apoio político do agronegócio
Representação histórica. Muitas dessas empresas mantiveram laços fortes com o governo Bolsonaro em anos anteriores ao processo atual na USTR. Por exemplo, a Sociedade Rural Brasileira declarou apoio formal à candidatura presidencial de Jair Bolsonaro durante as eleições de 2022.
Outro caso é aquele que envolveu João Martins, então presidente da CNA: ele defendeu publicamente um novo ciclo no poder quando fez discurso para líderes empresariais presenciarem por Jair Bolsonaro e afirmou não haver espaço para “uma equipe corrupta e incompetente”.
A Fiesp também manteve proximidade institucional; Paulo Skaf foi quem manifestou seu voto pela reeleição do ex – presidente.