Bolhas no Mercado Financeiro: A Inteligência Artificial Está Criando um Novo Colapso?
Bolhas no mercado financeiro e a inteligência artificial geram preocupações. Economistas alertam sobre riscos de supervalorização e desigualdades globais
Bolhas no Mercado Financeiro e a Inteligência Artificial
Uma bolha é extremamente sensível; um toque ou um excesso de pressão pode fazê-la estourar. No mercado financeiro, essa analogia é frequentemente utilizada para descrever um cenário em que um ativo ou uma classe de ativos apresenta uma valorização rápida e intensa, impulsionada por especulações.
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Quando isso ocorre, o valor de mercado de uma empresa pode ultrapassar seu valuation real, que é calculado com base em métricas financeiras, como lucros e vendas.
A ausência de fundamentos sólidos torna o ativo hipervalorizado vulnerável a qualquer perturbação. Eventualmente, a bolha estoura e os preços despencam, afetando não apenas as empresas envolvidas, mas também todos os investidores que apostaram nesse ambiente.
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O último grande colapso do mercado global foi a bolha imobiliária nos Estados Unidos, que resultou na crise financeira de 2008.
Temores em Torno da Inteligência Artificial
Recentemente, surgiram preocupações sobre a formação de uma nova bolha, desta vez relacionada à inteligência artificial (IA). O economista irlandês David McWilliams, em entrevista à revista Fortune, afirmou que a IA “indubitavelmente irá quebrar”, comparando-a a uma “alface digital” que pode murchar rapidamente.
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Ele ressaltou que investir em tecnologia de ponta, como GPUs, pode ser arriscado, pois esses chips podem se tornar obsoletos rapidamente.
Os investimentos no setor de IA têm gerado questionamentos, especialmente após o desenvolvimento da IA de baixo custo, DeepSeek, pela China. A situação atual levanta a questão de que o crescimento da IA pode estar criando um ciclo vicioso, onde um fornecedor investe em seu próprio cliente, fabricando assim a demanda.
Riscos e Interconexões no Setor de IA
Alcides Peron, professor da Unicamp, explica que a interconexão entre as empresas aumenta os riscos. Se uma delas enfrentar dificuldades, todo o sistema pode ser afetado. Um exemplo disso é a relação entre Nvidia e OpenAI, que estão no centro do mercado de IA.
Recentemente, a Nvidia firmou acordos com outras empresas, como Intel e CoreWeave, para fornecer microprocessadores.
William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue, destaca que a relevância da OpenAI na cadeia de suprimentos pode gerar incertezas. Avanish Sahai, investidor no Vale do Silício, vê a Nvidia como um pilar fundamental da indústria de IA, mas alerta que se as empresas não entregarem resultados concretos, o modelo pode falhar.
Expectativas e Desafios no Mercado de IA
Avanish Sahai reconhece que as expectativas em torno da IA são altas, considerando-a revolucionária. No entanto, Alves acredita que os preços de mercado estão alinhados com os fundamentos das empresas. Ele observa que a Nvidia tem apresentado resultados positivos, o que justifica sua valorização.
O CFO do SoftBank comentou que a venda de ações da Nvidia não reflete uma perda de confiança, mas sim uma necessidade de capital para o Projeto Stargate, que visa desenvolver infraestrutura de IA. Esse projeto conta com o apoio de várias empresas, incluindo OpenAI e Oracle.
Riscos Regulatórios e Desigualdades
William Castro Alves alerta que alguns valores do mercado podem estar superestimados e prevê uma possível correção nos próximos meses. Além disso, Avanish Sahai destaca os riscos regulatórios e a concentração de tecnologia nas mãos de poucas empresas.
A falta de consenso global sobre regulamentação da IA é uma preocupação crescente.
Alcides Peron também aponta que a tecnologia pode acentuar desigualdades entre países, com a concentração de capacidade produtiva nas nações que desenvolvem sistemas de IA. Essa nova divisão internacional do trabalho pode criar riscos para aqueles que não se inserirem de forma soberana nessa cadeia produtiva.
Autor(a):
Sofia Martins
Com uma carreira que começou como stylist, Sofia Martins traz uma perspectiva única para a cobertura de moda. Seus textos combinam análise de tendências, dicas práticas e reflexões sobre a relação entre estilo e sociedade contemporânea.












