Coletivo Boca da Mata Confronta Ações do Ibram no Parque Distrital
O Coletivo Boca da Mata trouxe à tona uma série de preocupações em relação à gestão do Parque Distrital Boca da Mata, área que enfrenta um cenário de negligência institucional desde sua criação em 1991. O grupo, composto por pesquisadores e ativistas ambientais, denuncia uma postura acusatória por parte do Instituto Brasília Ambiental (Ibram), que classificou uma trilha educativa realizada em 14 de 2026 como “entrada clandestina” e iniciou uma série de solicitações de identificação de responsáveis à Universidade de Brasília (UnB) e ao Instituto Federal de Brasília (IFB).
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Contestações e Acusações Recíprocas
Breno Vidany, um dos integrantes do coletivo, refuta as acusações apresentadas pelo Ibram. Ele alega que a utilização de imagens da UnB e do IFB foi indevida, assim como a alegação de que o grupo teria descartado resíduos sólidos no parque. A situação se agrava com a alegação de que o Ibram demonstra despreparo ao instalar placas com a legislação de criação da Unidade de Conservação (UC) com informações incorretas.
Atuação Voluntária e Falta de Gestão
O Coletivo Boca da Mata surgiu em 2021 com o objetivo de suprir a carência de gestão na UC, atuando na conscientização da população e na remoção de lixo nas nascentes do parque. Segundo Vidany, o Ibram tem sido praticamente ausente na gestão da Unidade de Conservação de Proteção Integral, que deveria permitir apenas o uso indireto dos recursos para garantir a qualidade do solo e da água.
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Proposta de Revisão do Plano de Manejo
Para auxiliar o Ibram, pesquisadores da UnB e do IFB elaboraram um estudo técnico de 150 páginas, buscando revisar o plano de manejo do parque. O trabalho visa corrigir falhas em um plano anterior, que, segundo o coletivo, não atendia às necessidades da unidade.
A proposta busca garantir a preservação da biodiversidade local.
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Denúncias de Irregularidades e Falta de Apoio
Além das denúncias de abandono, o coletivo relata episódios graves envolvendo agentes do Estado. Um dos casos mais recentes é o furto de duas bombas costais, utilizadas por brigadistas temporários do Ibram, durante um incêndio florestal em 2024.
O ativista Breno Vidany relata que, apesar da promessa de reposição dos equipamentos, nenhuma ação foi tomada. Outro incidente preocupante foi a realização de um aceiro mecânico com um trator, sem acompanhamento técnico, o que resultou no desmatamento de plantas raras e endêmicas do Distrito Federal.
Defesa da Cidadania e do Direito à Pesquisa
O Coletivo Boca da Mata defende que suas ações de pesquisa e extensão possuem autorização, apesar da ignorância do Ibram sobre esse fato. Para os membros, a mobilização social é um dever previsto na Constituição Federal, visando garantir um meio ambiente equilibrado para as futuras gerações.
Breno Vidany questiona a lógica das punições aplicadas pelo órgão ambiental, argumentando que a mesma lógica não se aplica a poluidores que não solicitam autorização para descartar resíduos, desmatar ou queimar.
O coletivo enfatiza que exercem sua cidadania, e conclui que “Nada menos!”.
