Após a Companhia Pernambucana de Saneamento, o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) está estruturando mais nove projetos de concessão ou PPP (parceria público-privada) voltados para água e esgoto em todo o país. Esses empreendimentos, que estão em diferentes fases de estudo, têm potencial para gerar R$ 47,6 bilhões em investimentos e beneficiar quase 20 milhões de pessoas.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
As informações foram fornecidas à CNN por Nelson Barbosa, diretor de planejamento e relações institucionais do BNDES. Ele enfatiza a importância da estruturação de projetos na área de saneamento básico, afirmando que “a parceria entre setor público e privado dá certo, mobiliza capital e melhora a vida da população”.
O portfólio do banco no setor se estende além de 2026, indicando que não é influenciado pelo ciclo eleitoral.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Um exemplo é a concessão dos serviços de abastecimento de água e esgotamento sanitário em Porto Alegre (RS). Os estudos do BNDES devem ser concluídos no segundo semestre de 2026, com o leilão previsto para a primeira metade de 2027. Recentemente, o prefeito Sebastião Melo (MDB) sancionou a lei que autoriza o processo, mantendo a responsabilidade pela captação e tratamento de água com o DMAE (Departamento Municipal de Água e Esgotos).
O maior projeto em análise pelo BNDES é o de concessão de saneamento no Maranhão, que deve movimentar mais de R$ 18 bilhões. No estado, quase três milhões de pessoas não têm acesso a água potável e cerca de seis milhões não possuem coleta de esgoto.
Apenas 15% do esgoto gerado é tratado, resultando no despejo diário de resíduos equivalente a 206 piscinas olímpicas no meio ambiente.
Os projetos em estudo pelo BNDES incluem:
A especialista em infraestrutura Isadora Cohen, sócia da ICO Consultoria, destaca que em 2020, o setor privado era responsável por apenas 7% dos serviços de água e esgoto, mas essa participação já ultrapassa 40%. Ela ressalta que “não precisamos de mais ou menos Estado, mas sim de mais investimentos”, enfatizando a necessidade de atender a população sem coleta de esgoto.
Além dos projetos do BNDES, Isadora menciona que “todos os olhos estão voltados para a Copasa”, referindo-se à privatização da Companhia de Saneamento de Minas Gerais, que não é estruturada pelo banco. A estatal, que já possui capital aberto, registrou lucro líquido de R$ 1,3 bilhão em 2024.
A Assembleia Legislativa aprovou recentemente o projeto de lei que autoriza sua venda.
Um aspecto crucial desse ativo é a possibilidade de Belo Horizonte assinar um contrato com a Copasa, garantindo fluxo de caixa à empresa. O contrato atual entre a capital mineira e a companhia de saneamento vai até 2032, mas as partes estão em negociações para estender esse acordo até 2073.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Fique por dentro das últimas notícias em tempo real!
Autor(a):
Com formação em Jornalismo e especialização em Saúde Pública, Lara Campos é a voz por trás de matérias que descomplicam temas médicos e promovem o bem-estar. Ela colabora com especialistas para garantir informações confiáveis e práticas para os leitores.
