BNDES busca parcerias com mineradoras para impulsionar setor de minerais críticos no Brasil

BNDES Avalia Parcerias com Mineradoras de Minerais Críticos
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) está em diálogo com mineradoras que atuam em projetos de minerais críticos no Brasil e considera a possibilidade de se tornar sócio de algumas dessas empresas. A informação foi compartilhada por José Luis Pinho Leite Gordon, diretor de Desenvolvimento Produtivo, Inovação e Comércio Exterior do BNDES, durante um seminário internacional sobre minerais críticos e estratégicos, promovido pelo Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram).
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Gordon destacou que as operações poderiam ser realizadas através da BNDESPar, a área de participações do banco. “Quando nós abrimos o edital com essas empresas, temos a possibilidade de o BNDES e a BNDESPar investirem diretamente como sócios de alguma dessas empresas”, afirmou.
Essa iniciativa faz parte da estratégia do banco para aumentar o suporte à cadeia de minerais críticos no Brasil, um setor considerado vital para a transição energética, a indústria de defesa, a produção de baterias, ímãs permanentes, veículos elétricos e tecnologias de baixo carbono.
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Fundo Bilionário e Parcerias Estratégicas
Além da possibilidade de participação direta em empresas, o BNDES também está estruturando um fundo bilionário voltado para o setor mineral, em colaboração com a Vale. O objetivo é financiar projetos relacionados a minerais críticos, como níquel, lítio, cobre, grafite, nióbio e terras raras.
Em entrevista à CNN, André Simão, CFO da Brazilian Nickel, mencionou que a mineradora está em negociações com o banco e defendeu a participação do governo brasileiro como acionista em projetos de níquel no país.
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A entrada do BNDES como sócio de mineradoras ocorre em um cenário de crescente demanda global por minerais críticos. Este setor requer investimentos significativos, possui um longo prazo de maturação e necessita de grandes volumes de capital antes do início das operações comerciais dos projetos.
Em países como Estados Unidos, Canadá, Austrália, China e membros da União Europeia, instituições financeiras públicas e fundos soberanos têm ampliado o apoio a projetos considerados estratégicos para suas cadeias industriais.
Desafios e Oportunidades para o Brasil
No Brasil, a discussão sobre a participação do BNDES é ainda mais delicada, pois muitos projetos em desenvolvimento buscam contratos de fornecimento de longo prazo, conhecidos como offtakes, com empresas ou governos estrangeiros. Esses acordos são cruciais para viabilizar financiamentos e garantir a demanda futura para os projetos.
Ao mesmo tempo, representantes do governo e do setor privado acreditam que o Brasil deve evitar o padrão histórico de exportar apenas matéria-prima, sem desenvolver etapas industriais que agreguem maior valor no país.
A avaliação dentro do BNDES é que a participação direta em empresas pode proporcionar ao Brasil uma maior influência sobre projetos estratégicos, estimular a industrialização local e atrair capital privado para uma cadeia ainda em desenvolvimento.
O tema ganhou destaque nos últimos meses, especialmente com a formulação de políticas públicas para minerais críticos e o avanço de projetos privados de níquel, lítio, terras raras, grafite e nióbio em diversos estados brasileiros. Essa estratégia também se alinha à intenção do governo de posicionar o Brasil como um fornecedor relevante de insumos essenciais para a transição energética global, com uma participação mais significativa nas etapas de processamento, refino e fabricação de componentes industriais.
Autor(a):
Sofia Martins
Com uma carreira que começou como stylist, Sofia Martins traz uma perspectiva única para a cobertura de moda. Seus textos combinam análise de tendências, dicas práticas e reflexões sobre a relação entre estilo e sociedade contemporânea.



