Bione: Uma Voz que Ecoa na Cena Musical de Pernambuco
Aos 23 anos, muitos artistas nessa fase estão buscando a definição de seu estilo, testando diferentes caminhos. Bione, no entanto, já se destaca como uma das vozes mais relevantes da música e poesia em Pernambuco, um nome que não precisa se provar. A rapper, originária da zona oeste do Recife, busca expandir o alcance conquistado desde 2019, ano em que lançou seu primeiro trabalho, o EP “Sai da Frente”, aos 15 anos. A urgência em sua missão é evidente, especialmente em sua mais recente mixtape, “Só Podia Ser Mulher”.
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Lançada no dia 8 de março, em homenagem ao Dia Internacional da Mulher, a mixtape é uma declaração de incômodos com as barreiras enfrentadas por mulheres na música e na cultura, refletindo a realidade de sua origem. Bione celebra, ao mesmo tempo, as conquistas alcançadas através de sua poesia, sempre com um toque de swing e ternura. O projeto é o terceiro lançamento do selo Aqualtune, composto por mulheres negras, e representa um marco importante em sua carreira.
“Meu trabalho com o rap surge antes dos beats. Ele vem com a escrita, com a poesia no slam. Amadureci até chegar neste lançamento, que creio ser um dos mais importantes da minha carreira”, afirma Bione, em entrevista ao Brasil de Fato. A artista busca consolidar sua presença no cenário musical brasileiro, onde o rap tem se tornado uma força de destaque. “É um trabalho que vem da minha maturidade e da compreensão de que o mercado e o mainstream precisam de mim”, ressalta.
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Desafios e Reconhecimento no Rap Nacional
Com um flow seguro e influenciada por beats clássicos do boom-bap, Bione aborda suas experiências, confrontando situações em que o talento não se traduz em reconhecimento. Em “Em Rap de Mina”, a artista critica a falta de diversidade nos line-ups de eventos, questionando a exclusão de artistas mulheres. Ela defende a necessidade de uma remuneração justa para as artistas, proporcional à relevância de sua produção, especialmente na região Nordeste, onde as barreiras do mainstream são ainda mais significativas.
Bione acompanha de perto a ascensão de outras mulheres no cenário do rap nacional, como Duquesa, Ajuliacosta, Nanda Tsunami e Slipmami. “Eu sinto que acompanho essa revolução que acontece de forma grandiosa, com artistas no Rio e em São Paulo levando a bandeira da feminilidade e da mulheridade nas artes. E tem uma fazendo isso aqui muito bem em Pernambuco”, comenta. A artista se inspira em Karol Conká e Jessica Caitano, artistas que também abriram caminhos em Pernambuco.
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“Me sinto um ponto de inspiração para outras minas. Não foi fácil, por exemplo, lançar o (Ego, de 2022). Isso significa que outras minas vão ter para onde olhar e acreditar no trabalho delas a partir do território onde estão”, diz Bione. A capa da mixtape apresenta Bione em uma cena que visa subverter estereótipos, mostrando-a como uma figura de força e resistência através da música.
“É um projeto de urgência total. De ‘pretizar’ e acompanhar essa avalanche de mulheres no rap. Quero ser uma delas e vinda de Pernambuco que, como digo no álbum, é um beco no Brasil. Quem vive nesses becos entende bem o recado”, conclui Bione.
“Só Podia Ser Mulher” está disponível nas principais plataformas de streaming.
