
Em meio a crescentes tensões sobre o possível afastamento dos Estados Unidos de alianças internacionais, uma nova Reunião Bilderberg se inicia nesta sexta-feira, 10, em Washington. Este encontro anual, realizado a portas fechadas, reúne figuras proeminentes das esferas política e empresarial dos Estados Unidos e da Europa.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Fundada em 1954 no Hotel Bilderberg, na Holanda, a reunião mantém o costume de não divulgar suas discussões ou realizar coletivas de imprensa. Ela congrega centenas de líderes militares, empresariais e políticos de ambas as regiões, além de representantes de grandes veículos de comunicação.
Desta vez, entre os 123 participantes, está o secretário-geral da OTAN, Mark Rutte. Ele chegou a Washington na quarta-feira, 8, para se reunir com o presidente Donald Trump, o secretário de Estado Marco Rubio e o secretário de Guerra Pete Hegseth.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
O ex-secretário-geral da aliança, Jens Stoltenberg, que liderou a OTAN de 2014 a 2024, participou regularmente do evento. Desde novembro de 2024, ele passou a presidir o Comitê Diretor da organização.
A expectativa era que o encontro abordasse o futuro da aliança, especialmente após Trump declarar ao jornal The Telegraph que a retirada dos EUA da OTAN estava “além de reconsideração”, chamando a aliança de “tigre de papel”. Ele também afirmou à Reuters que estava “definitivamente” considerando deixar o bloco.
Rutte comentou ao canal CNN que estava “claramente desapontado” com os aliados, descrevendo a conversa como “muito franca, entre dois bons amigos”, mas evitou confirmar se Trump discutiu diretamente a saída dos EUA.
Apesar das declarações, a saída formal dos EUA enfrenta barreiras legais. Uma lei aprovada pelo Congresso estadunidense em 2023, ironicamente apoiada por Marco Rubio quando era senador, impede que qualquer presidente retire o país da aliança sem a aprovação do Legislativo.
As divergências europeias também foram notáveis. A Espanha fechou seu espaço aéreo a aeronaves americanas envolvidas em ataques. A França bloqueou rotas de munições, e a Itália negou o uso da base aérea de Sigonella, na Sicília, pelas forças americanas.
A edição deste ano conta com participantes de 21 países, segundo uma lista vazada. Os EUA lideram com 24 representantes, seguidos por organizações internacionais e o Reino Unido, com 11 cada. Um dado relevante é que cerca de 53% dos presentes são executivos do setor privado, em contraste com apenas 23% de representantes eleitos.
Entre os presentes estão executivos das cinco maiores corporações de inteligência artificial do Ocidente: Anthropic, Google DeepMind, Mistral AI, Microsoft e Thinking Machines Lab. Também comparecem a presidenta do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, e o secretário do Tesouro estadunidense, Scott Bessent.
O líder cubano, Fidel, em agosto de 2010, utilizou o jornal cubano para reproduzir trechos do livro “Os Segredos do Clube Bilderberg”, de Daniel Estulin. Ele classificou o grupo como uma camarilha que busca estabelecer um governo mundial sem prestar contas a ninguém.
O próprio site da organização descreve os encontros como um espaço para “discussões informais e off-the-record sobre temas de interesse atual”. Ao longo de sua história, a Reunião Bilderberg recebeu figuras como David Rockefeller e Henry Kissinger, que participaram em diferentes momentos.
Documentos históricos sobre o grupo são mantidos em arquivos públicos, como o do WikiLeaks, que disponibiliza relatórios internos de reuniões entre 1957 e 1980, além de cabos diplomáticos desclassificados que mencionam os encontros.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Fique por dentro das últimas notícias em tempo real!
Autor(a):
Com formação em Jornalismo e especialização em Saúde Pública, Lara Campos é a voz por trás de matérias que descomplicam temas médicos e promovem o bem-estar. Ela colabora com especialistas para garantir informações confiáveis e práticas para os leitores.