Benjamin Netanyahu e Likud atacam Gadi Eisenkot e Ahmad Tibi em campanha para eleições de outubro

A campanha do Likud destaca a rivalidade entre Benjamin Netanyahu e Gadi Eisenkot, que se torna uma ameaça crescente nas eleições de outubro.

Líder israelense ganha força nas pesquisas como alternativa a Netanyahu

Na noite de 8 de junho, o partido Likud, liderado pelo primeiro – ministro israelense Benjamin Netanyahu, postou uma mensagem direta em sua conta oficial no X: “Não existe Gadi sem Tibi.” A frase vinha acompanhada de um vídeo de 11 segundos, produzido com inteligência artificial, que mostrava os políticos Gadi Eisenkot e Ahmad Tibi lado a lado em um Parlamento envolto em nuvens escuras.

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Ao final do material, a frase “Eisenkot não tem governo sem os árabes” reforçava a conexão entre os dois, destacando Tibi como um dos parlamentares árabes mais influentes de Israel.

A postagem ilustra dois aspectos fundamentais da campanha do Likud para as eleições parlamentares agendadas para o final de outubro. O primeiro é o retorno de Netanyahu ao discurso antiárabe, uma estratégia que o partido vem utilizando há anos. O segundo ponto importante é que Eisenkot, ex – chefe das Forças Armadas de Israel, está sendo visto como a principal ameaça política ao líder que ocupa o cargo há mais tempo na história do país.

Ascensão de Gadi Eisenkot

Embora o nome de Eisenkot ainda não seja amplamente reconhecido fora de Israel, ele tem ganhado destaque no cenário político nacional. Recentemente, ele se tornou o principal adversário de Netanyahu, superando o ex – primeiro – ministro Naftali Bennett.

Um assessor do premiê revelou que o Likud possui mais de 400 vídeos prontos para divulgar sobre Eisenkot.

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O partido Yashar (“reto” ou “honesto”, em hebraico), fundado por Eisenkot há menos de um ano, começou com apenas um dígito nas pesquisas de intenção de voto. Atualmente, no entanto, a maioria dos levantamentos indica que a legenda está empatada tecnicamente com o Likud e à frente da chapa conjunta formada por Bennett e outro ex – primeiro – ministro, Yair Lapid.

Apesar das tentativas de atraí – lo para uma aliança com Netanyahu, Eisenkot optou por seguir seu próprio caminho nas eleições.

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A pesquisa mais recente do Canal 12 aponta que o partido de Eisenkot poderia conquistar 21 cadeiras no Knesset, enquanto o Likud deve obter 23 assentos e a chapa conjunta de Bennett e Lapid ficaria com 18. Quando questionados sobre quem seria mais capacitado para assumir o cargo de primeiro – ministro, 38% dos entrevistados escolheram Eisenkot e 36% optaram por Netanyahu.

Estratégias do Likud contra Eisenkot

A mudança nas percepções eleitorais também forçou o Likud a ajustar sua estratégia comunicacional. O partido agora trata Eisenkot como seu principal opositor após ter focado seus ataques em Bennett anteriormente. Nos últimos dias, começaram a circular vídeos que ironizam o sotaque carregado do ex – general em contraste com a fluência internacional de Netanyahu.

Além disso, uma nova linha de ataque sugere que “Gadi não pode governar”. No entanto, analistas acreditam que esse contraste pode ser um dos fatores que impulsionam a popularidade crescente de Eisenkot. Ele representa uma alternativa ao estilo dramático e teatral característico de Netanyahu.

Aos 76 anos, Netanyahu tem décadas dedicadas ao aperfeiçoamento da política teatral e das mensagens impactantes. Por outro lado, Eisenkot possui um perfil mais discreto e evita dramatizações desnecessárias; suas características incluem uma comunicação serena e foco em processos estratégicos.

Trajetórias distintas

As histórias pessoais dos dois políticos também ressaltam esse contraste. Filho de um historiador e criado na elite jerusalense, Netanyahu serviu na prestigiada unidade Sayeret Matkal. Em contrapartida, Eisenkot é filho de imigrantes marroquinos e cresceu longe dos centros tradicionais de poder em Tiberíades e Eilat.

No âmbito militar, ele subiu pelas fileiras da Brigada Golani até se tornar chefe do Estado – Maior das IDF (Forças de Defesa de Israel) entre 2015 e 2019. Durante sua despedida em 2019, Netanyahu elogiou seu trabalho à frente das Forças Armadas: “Gadi realizou um excelente trabalho”, disse ele.

A gestão militar de Eisenkot foi marcada por polêmicas. Ele supervisionou o processo judicial contra Elor Azaria, um médico militar condenado por matar um palestino ferido em Hebron — um caso emblemático no debate sobre ética militar em Israel.

Caminho político conturbado

Eisenkot entrou na política em 2022 sob a liderança do ex – chefe das Forças Armadas Benny Gantz. Inicialmente parte do gabinete formado após os ataques ocorridos em 7 de outubro pelo governo Netanyahu, ele se tornou crítico da falta de estratégia clara durante a guerra na Faixa de Gaza.

Em fevereiro de 2024, ele enviou uma carta ao premiê expressando suas preocupações: “A guerra está sendo conduzida com base em ganhos táticos”, alertou ele sobre a ausência de objetivos estratégicos claros.

A tragédia também bateu à porta da família durante este período tenso. Dois meses após os conflitos começarem, seu filho caçula Gal foi morto; posteriormente outros membros da família foram mortos durante operações militares. Em contraste com isso, Yair Netanyahu passou grande parte desse período nos Estados Unidos sem servir como reservista.

Desafios pela frente

Em junho de 2024, tanto Eisenkot quanto Gantz deixaram o gabinete alegando falta de direção estratégica do governo para encerrar a guerra. Um ano depois disso, ele decidiu romper com Gantz para fundar seu próprio partido — uma decisão que vem rendendo frutos nas pesquisas eleitorais.

Recentemente, colunistas têm destacado a imagem carismática que Eisenkot projeta; segundo Nachum Barnea do Yedioth Aharonot, seu apelo é emocional e deriva da combinação entre sua experiência militar e sua condição pessoal como pai enlutado.

A origem mizrahi (judeus oriundos do Oriente Médio) pode ser outra vantagem política para ele; mesmo assim Israel nunca teve um primeiro – ministro dessa origem. Apesar disso, as pesquisas indicam que ainda há desafios significativos pela frente até as eleições— especialmente considerando as habilidades políticas experientes e consolidadas de Netanyahu.

Expectativas eleitorais

Cerca de quatro meses antes das eleições gerais previstas para outubro deste ano, as pesquisas mostram que embora Eisenkot tenha conquistado apoio significativo entre os eleitores israelenses — incluindo aqueles tradicionalmente ligados ao Likud — ainda está longe da certeza eleitoral ou da capacidade imediata para formar uma coalizão governamental sólida.

A aritmética das coalizões continua sendo complexa não apenas para ele mas também para toda oposição anti – Netanyahu; mesmo quando as pesquisas sugerem maiorias potenciais compostas por diferentes espectros políticos — incluindo partidos árabes — manter essa união seria extremamente desafiador.

Neste contexto político conturbado onde diversas figuras tentaram derrubar Netanyahu sem sucesso nos últimos anos devido às suas habilidades políticas bem estabelecidaseisenkot surge como um candidato diferente: “Ele tenta vencê – lo sendo seu oposto”, afirma Anshel Pfeffer da revista The Economist.