Beber chá ou café muito quentes triplica o risco de câncer de esôfago, diz estudo

Pesquisa da Universidade de Oxford associa bebidas acima de 65°C a lesões no esôfago e recomenda esperar alguns minutos antes do consumo.

09/09/2026 10:13

2 min

Beber de 3 a 5 xícaras de café por dia é considerado seguro
Beber de 3 a 5 xícaras de café por dia é considerado seguro

Beber chá ou café em temperaturas “muito quentes” pode triplicar o risco de carcinoma de células escamosas do esôfago (SCC), um dos principais subtipos de câncer de esôfago. A conclusão é de um estudo realizado por pesquisadores da Unidade de Epidemiologia do Câncer da Universidade de Oxford e publicado nesta terça – feira (8) no periódico científico Leia Mais.

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A pesquisa reuniu informações de 977.282 participantes. Durante o período de monitoramento, 2.348 pessoas receberam diagnóstico de câncer de esôfago: 1.045 casos eram de carcinoma de células escamosas e 1.303, de adenocarcinoma (AC.

Temperatura e quantidade influenciam o risco

Entre os participantes que disseram preferir bebidas “muito quentes”, o risco de desenvolver SCC foi 3,17 vezes maior. A comparação foi feita com pessoas que consumiam as bebidas em temperaturas mais baixas.

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O volume ingerido diariamente também apareceu associado ao aumento do risco. Quem relatou beber seis ou mais xícaras de bebidas quantes por dia teve probabilidade 71% maior de desenvolver SCC do que aqueles que consumiam menos de seis doses diárias.

Essa diferença permaneceu mesmo depois que os pesquisadores ajustaram os resultados de acordo com a temperatura do líquido. O estudo considerou “muito quente” a bebida com temperatura acima de 65ºC, embora o líquido possa chegar a cerca de 100ºC quando está pronto.

Como o calor pode afetar o esôfago

A hipótese principal levantada pelos pesquisadores é a de que o calor provoque uma lesão direta na mucosa do esôfago. Esse dano pode comprometer a integridade do tecido e facilitar a ação de agentes físicos, químicos ou biológicos relacionados ao surgimento ou ao estímulo do câncer.

O efeito atinge especialmente as células escamosas que revestem a camada interna do órgão. Por isso, a recomendação associada aos resultados é esperar alguns minutos antes de beber o líquido, permitindo que a temperatura diminua.

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Com base nos hábitos de consumo observados na população britânica, os autores estimam que 14% dos casos de carcinoma de células escamosas do esôfago poderiam ser evitados se as pessoas trocassem bebidas “muito quentes” por líquidos em temperaturas consideradas apenas “quentes”.

No Reino Unido, a mudança poderia evitar aproximadamente 440 diagnósticos de câncer por ano.

O trabalho foi assinado pelos pesquisadores Keren Papier, Kezia Gaitskell, Sarah Floud e Gillian K. Reeves.

Ana Carolina é engenheira de software e jornalista especializada em tecnologia. Ela traduz conceitos complexos em conteúdos acessíveis e instigantes. Ana também cobre tendências em startups, inteligência artificial e segurança cibernética, unindo seu amor pela escrita e pelo mundo digital.

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