BCSF suspeita que PCC usou metanol em bebidas adulteradas em bares

Suspeita da ABCF aponta para fechamento de distribuidoras e formuladoras ligadas ao crime organizado por trás de intoxicações em bares e casas noturnas.

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Mortes por Adulteração com Metanol: Investigação e Alerta da ABCF

A Associação Brasileira de Combate à Falsificação (BCF) divulgou uma nota em que levanta suspeitas sobre o uso de metanol, uma substância tóxica, para adulterar bebidas alcoólicas, com consequências graves para a saúde pública.

A situação ganhou destaque após o registro de duas mortes em São Bernardo do Campo e a capital paulista, decorrentes do consumo de bebidas contaminadas com a substância.

Duas Vítimas e Investigação em Andamento

A Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo confirmou que duas pessoas faleceram após ingerir bebidas adulteradas com metanol.

Os casos foram registrados em São Bernardo do Campo e na capital paulista. Além disso, a pasta informou que outras 10 ocorrências de intoxicação, todas na capital, estão sob investigação.

A BCF ressalta que a prática de contrabando não é exclusiva do Primeiro Comando da Capital (PCC), mas sim cometida por diversas facções criminosas em todo o país.

A Importância da Rastreabilidade

A associação destaca que a entrada de facções do crime organizado no mercado ilegal de bebidas tem apresentado desafios cada vez maiores para o combate efetivo, devido à capacidade financeira e à rede de distribuição que possuem.

A BCF enfatiza que a falta de rastreabilidade na produção de bebidas, agravada pelo desligamento do Sicobe (sistema de controle de produção de bebidas), tem contribuído para o aumento da falsificação e da sonegação fiscal.

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A entidade estima que o setor de bebidas foi o mais prejudicado pelo mercado ilegal no último ano, com perdas de R$ 88 bilhões, R$ 29 bilhões em sonegação de tributos e R$ 59 bilhões restantes de perdas de faturamento das indústrias.

Ação do Ministério da Justiça e Alerta da ABCF

O Ministério da Justiça e Segurança Pública emitiu uma recomendação urgente aos estabelecimentos que vendem bebidas alcoólicas em São Paulo e regiões próximas, diante dos nove casos de intoxicação confirmados nos últimos 26 dias.

A nota técnica aponta a necessidade de atuação conjunta entre governo, setor privado e sociedade no combate à falsificação, priorizando a compra segura, com conferência e rastreabilidade dos produtos. A ABCF, por sua vez, alerta para a importância de atenção a itens com lacres tortos, erros evidentes de impressão e preços atipicamente baixos, além de recomendar o tratamento médico urgente em caso de sintomas como visão turva, dor de cabeça e náusea.

Metanol: Riscos e Medidas de Prevenção

O metanol é uma substância líquida, inflamável e incolor, com grande potencial de intoxicação. O consumo, mesmo em doses pequenas, pode levar à morte. O envenenamento é causado pela interação das enzimas hepáticas e do metanol com o formaldeído e o ácido fórmico, substâncias extremamente tóxicas que podem causar cegueira, acidose metabólica, depressão do sistema nervoso central e, em casos graves, coma.

A ABCF defende a retomada da rastreabilidade de produção, que era efetuada pelo Sicobe, para combater a falsificação, a lavagem de dinheiro, a sonegação de tributos e, principalmente, mitigar os prejuízos à saúde dos consumidores. A entidade entrou com uma denúncia junto ao TCU defendendo a retomada do Sicobe, pois a lei que disciplina o tema, continua em vigor, apesar da decisão ilegal tomada em 2016 por um funcionário de terceiro escalão da RF, que desobrigou a rastreabilidade e o controle de produção que era efetuado pela RF.

O TCU decidiu em julgamento ocorrido no plenário da Corte de Contas esse ano, que o desligamento do Sicobe foi ilegal e determinou a retomada imediata da rastreabilidade, dados os prejuízos a arrecadação do estado e a saúde dos consumidores.