Bancos da Zona do Euro Restringem Acesso ao Crédito Corporativo
No último trimestre, os bancos da zona do euro impuseram restrições ao acesso ao crédito corporativo e preveem mais limitações no futuro. Essa situação é impulsionada pela incerteza econômica, em parte relacionada às políticas comerciais, conforme revelou a pesquisa trimestral sobre empréstimos bancários do Banco Central Europeu, divulgada nesta terça-feira (3).
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Embora o crescimento dos empréstimos a empresas e famílias tenha se acelerado nos últimos anos, a taxa de expansão ainda está aquém dos níveis anteriores à pandemia. Isso reforça a percepção de que a recuperação econômica do bloco, apesar de resiliente, permanece modesta.
O BCE destacou que as preocupações com as perspectivas empresariais e a economia em geral, além da menor tolerância ao risco por parte dos bancos, foram fatores que contribuíram para o endurecimento dos critérios de crédito.
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Impactos da Incerteza Comercial
Metade dos bancos consultados indicou que a incerteza em relação à política comercial impactou suas decisões de empréstimos, principalmente pela redução da tolerância ao risco e pela demanda mais fraca. Esses fatores devem continuar a influenciar o cenário de crédito ao longo deste ano.
As restrições ao crédito corporativo foram mais evidentes na Alemanha e na França, enquanto Itália e Espanha não relataram aperto nas condições. Apesar da adoção de padrões de crédito mais rigorosos para empresas, os bancos têm flexibilizado as condições para hipotecas, especialmente na França, embora essa flexibilização possa ser revertida no primeiro trimestre de 2026.
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Expectativas para a Demanda por Empréstimos
A demanda por crédito se manteve, com os bancos registrando um leve aumento, uma tendência que deve persistir no primeiro trimestre. Os bancos esperam um crescimento na demanda por empréstimos em diversos setores, exceto na fabricação de automóveis, comércio atacadista, varejo e imóveis comerciais.
A demanda por hipotecas também apresentou aumento, impulsionada pela melhora nas perspectivas do mercado imobiliário, mesmo que a confiança do consumidor tenha exercido um impacto negativo, conforme apontou o BCE.
