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Elevação de impostos em veículos elétricos impacta mercado automotivo, impulsionando investimento em produção nacional e redução da dependência de importações

23/06/2026 15:38

3 min

Fábrica da BYD na Bahia – King na linha de produção
Fábrica da BYD na Bahia – King na linha de produção

A partir de julho de 2026, veículos elétricos e híbridos importados enfrentarão uma significativa alteração tributária no Brasil. Nesta data, entra em vigor a etapa final do cronograma de recomposição do imposto de importação para automóveis eletrificados, elevando a alíquota para 35% em todas as categorias.

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Com essa mudança, o tributo será aplicado de forma uniforme, atingindo tanto os modelos híbridos convencionais quanto os híbridos plug-in e os veículos totalmente elétricos.

O percentual de 35% corresponde ao teto estabelecido para a tributação de automóveis de passeio e marca o encerramento de um período de transição iniciado pelo governo federal em janeiro de 2024. Essa nova cobrança encerra um ciclo de isenções e alíquotas reduzidas que vigoravam desde 2016, quando os veículos híbridos eram tributados em 12% e os elétricos em 10%.

Impacto da Tributação no Programa Mobilidade Verde

A medida faz parte da estratégia mais ampla do programa Mobilidade Verde e Inovação (Mover). O objetivo central dessa política industrial é estimular o investimento no setor automotivo nacional e, consequentemente, expandir a produção doméstica de veículos eletrificados.

Na prática, a elevação da taxa de importação visa reduzir a dependência do mercado brasileiro em relação aos automóveis vindos do exterior. Ao tornar a importação mais custosa, o governo busca incentivar a instalação de fábricas e fornecedores de componentes dentro do país, consolidando uma cadeia produtiva local.

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Apesar do aumento gradual dos impostos desde 2024, o mercado brasileiro de veículos eletrificados demonstrou resiliência e forte crescimento. Esse avanço foi impulsionado pela chegada de novas marcas globais e pela crescente oferta de modelos, além da diminuição dos custos internacionais de componentes cruciais, como as baterias.

A competição acirrada entre fabricantes, especialmente as marcas chinesas, manteve os preços relativamente estáveis em diversos segmentos. Muitas montadoras optaram por absorver parte dos custos para garantir a competitividade e aumentar sua participação no mercado nacional.

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O Impulso para a Produção e Componentes Nacionais

Diante do novo patamar tributário, a fabricação local assume um papel de importância estratégica ainda maior para as montadoras que operam no Brasil. Empresas como BYD e GWM já iniciaram operações industriais no país, trabalhando para elevar gradativamente o índice de nacionalização de seus veículos.

Atualmente, grande parte dessa produção ocorre por meio dos sistemas SKD (Semi-Knocked Down) e CKD (Completely Knocked Down), nos quais os automóveis chegam desmontados ou parcialmente montados para a finalização em território brasileiro. Este modelo é fundamental para mitigar custos logísticos e tributários durante as fases iniciais de investimento.

No entanto, o cenário deve evoluir rapidamente. O governo já sinalizou que os kits utilizados nesse tipo de operação também passarão por um aumento gradual de tributação. Isso forçará o setor a acelerar a busca por fornecedores brasileiros e a produção local de componentes.

Além das marcas já estabelecidas, outras fabricantes chinesas, como Omoda Jaecoo e Geely, confirmaram planos de produção nacional, reforçando o movimento de consolidação da indústria eletrificada. A tendência é de que o Brasil se transforme em um polo regional de produção.

Embora a alíquota de 35% possa gerar preocupações sobre um aumento imediato nos preços ao consumidor, os fabricantes têm autonomia para definir suas estratégias comerciais. É importante notar que muitas empresas já anteciparam importações nos meses anteriores à mudança, o que pode amortecer o impacto inicial no segundo semestre de 2026.

Assim, a continuidade da expansão dos eletrificados no país dependerá cada vez mais da capacidade das montadoras de produzir localmente e de reduzir custos operacionais, transformando a política industrial brasileira em um motor de desenvolvimento tecnológico e econômico.

Autor(a):

Com uma carreira que começou como stylist, Sofia Martins traz uma perspectiva única para a cobertura de moda. Seus textos combinam análise de tendências, dicas práticas e reflexões sobre a relação entre estilo e sociedade contemporânea.

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