O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), atribuiu o aumento da violência no estado à influência do crime organizado em nível nacional. Em entrevista, ele ressaltou a importância da atuação da União no controle das fronteiras, considerando que armas e drogas continuam a entrar no território baiano, apesar da ausência de produção de armamentos ou entorpecentes no estado.
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Números e Coordenação Federal
O governador destacou que a Bahia registra altos volumes de apreensões e defendeu uma coordenação federal para enfrentar o problema. Ele mencionou que, em números absolutos, o estado possui mais assassinatos do que São Paulo e Rio de Janeiro, e que a segurança pública exige responsabilidade dos estados, mas com o apoio da União.
Investimentos e Abordagem Multidimensional
Jerônimo informou que a gestão estadual tem investido na ampliação da estrutura policial, com contratação de agentes, compra de viaturas, câmeras e equipamentos de inteligência, além da construção de delegacias e pelotões. Ele também mencionou o investimento em áreas sociais, como escolas de tempo integral e serviços de saúde e assistência social em comunidades vulneráveis, em conjunto com operações policiais.
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Rejeitando a Violência como Resposta
Ao comentar sobre a letalidade policial, o governador rejeitou a ideia de que o Estado deveria replicar a violência do crime organizado. Ele enfatizou que o conceito de Estado é o de protetor da sociedade, e que a prisão e o julgamento de criminosos são essenciais para o sistema de justiça.
Iniciativas de Formação e Uso de Tecnologia
Jerônimo citou o lançamento do programa ‘Bahia pela Paz’, que envolve a Assembleia Legislativa, o Tribunal de Justiça, o Ministério Público, a Defensoria Pública, órgãos de direitos humanos, universidades e pesquisadores, com o objetivo de formar policiais de maneira diferenciada.
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Ele também defendeu a ampliação do uso de câmeras corporais, como instrumento de proteção para profissionais de segurança e para a população, ressaltando que o agente é um servidor público com a obrigação de prestar contas de seus atos.
Diálogo Político e Defesa de Políticas Públicas
Questionado sobre o debate em torno da segurança pública, o governador afirmou não ver preconceito em defender um Estado forte, com polícia atuante, operações e inteligência. Ele reiterou a preferência por investimentos em educação, cultura e serviços públicos, e confirmou a intenção de buscar a reeleição.
Jerônimo também reconheceu que está atrás do União-BA nas pesquisas, mas relativizou os resultados, enfatizando que eleições dependem do cenário nacional. Ele manteve o diálogo frequente com o presidente Lula e com o Ministério da Justiça, e defendeu a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança, com autonomia das polícias, financiamento federal e padronização de dados.
Desafios e Perspectivas para 2026
Ao avaliar os quase 20 anos de governos do PT no estado, Jerônimo citou avanços em saúde, educação e infraestrutura, como a expansão de escolas de tempo integral e hospitais de alta complexidade, mas reconheceu desafios, como a pobreza, que ainda atinge 46% da população baiana, segundo o IBGE. Ele apontou que a segurança pública e a geração de empregos serão temas centrais nas eleições de 2026, ao lado do combate à pobreza.
