A Azul alerta ao Cade sobre riscos financeiros graves devido ao atraso no Chapter 11, essencial para sua reestruturação e competitividade no mercado
A Azul informou ao Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) que o atraso na saída do Chapter 11 representa “graves riscos” à sua saúde financeira e à continuidade operacional da companhia. Na quarta-feira (11), o plenário do Cade analisará o recurso contra a operação da empresa com a United Airlines, que faz parte do processo de reestruturação financeira previsto na legislação norte-americana.
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Nos últimos dias, a análise do caso pelo órgão antitruste foi adiada devido a um recurso apresentado pelo IPSConsumo (Instituto de Pesquisas e Estudos da Sociedade e Consumo). O conselheiro-relator, Diogo Thomson, habilitou o instituto como terceiro interessado na operação, citando a complexidade do caso e questões estruturais ainda não resolvidas.
Em uma petição ao Cade na segunda-feira (9), a Azul afirmou que o IPSConsumo criou obstáculos artificiais à implementação da operação, o que representa um risco real de prejuízo aos consumidores. A companhia destacou que a operação é crucial para que a Azul continue sendo uma concorrente forte no mercado.
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A Azul também mencionou que, além dos riscos jurídicos relacionados a possíveis questionamentos do plano do Chapter 11, a empresa está enfrentando altos custos mensais para concluir sua reestruturação. Esses custos podem aumentar com um eventual atraso além de fevereiro de 2026.
A companhia aérea argumentou que, ao sair do Chapter 11, estará em uma posição financeira e operacional mais robusta, permitindo expandir sua oferta nos mercados doméstico e internacional. A saída do procedimento está condicionada à captação de pelo menos US$ 850 milhões, que será realizada por meio de uma Oferta Pública de Ações.
Desse total, US$ 750 milhões virão de um grupo de credores e US$ 100 milhões serão aportados pela United. O IPSConsumo, por sua vez, questionou a operação, alegando que deveria incluir também o negócio com a American Airlines, devido ao entrelaçamento estratégico entre as empresas.
O tribunal do Cade se reunirá nesta quarta-feira, a partir das 10 horas, para avaliar o recurso do IPSConsumo, o que poderá manter o processo ativo. O relator já votou pela admissibilidade do recurso, e, se aceito, levará a uma análise mais detalhada da operação, adiando a decisão final.
A operação visa aumentar a participação minoritária da United na Azul, passando de 2,02% para cerca de 8%. Ambas as empresas afirmam que a operação não altera os direitos da United sobre a Azul e não gera sobreposições de voos diretos entre os aeroportos dos dois países.
A Azul conclui que a prorrogação da análise pode ameaçar a continuidade operacional da empresa e pede que a decisão do Cade seja mantida sem modificações.
Autor(a):
Ambientalista desde sempre, Bianca Lemos se dedica a reportagens que inspiram mudanças e conscientizam sobre as questões ambientais. Com uma abordagem sensível e dados bem fundamentados, seus textos chamam a atenção para a urgência do cuidado com o planeta.