Avenue: Mercado de trabalho apresenta sinais dúbios e complica decisões do Fed sobre juros

A incerteza no mercado de trabalho e a divisão interna do Fed complicam decisões sobre juros, enquanto a inflação permanece acima da meta estabelecida.

BR_CNN_190826_ZOOM_MONEY_frame_8350

O Federal Reserve divulgou, na quarta – feira (19), a ata da sua última reunião de política monetária, revelando discussões sobre a volatilidade no mercado de Treasuries e a rápida expansão das infraestruturas de inteligência artificial no sistema financeiro.

Will Castro Alves, estrategista – chefe da Avenue, comentou em entrevista ao CNN Money que o documento reforça um cenário conhecido: a divisão interna entre os dirigentes da instituição. “Os dirigentes do Fed têm visões realmente diferentes”, destacou.

A questão central continua sendo se é necessário aumentar os juros para controlar uma inflação que não retorna à meta estabelecida há mais de 60 meses. Castro Alves enfatizou que o mercado de trabalho americano apresenta “sinais dúbios, sinais de arrefecimento”, complicando ainda mais o cenário para os dirigentes do Fed.

Fatores que contribuem para a incerteza

Além da situação do emprego, choques de oferta, conflitos geopolíticos e os impactos da inteligência artificial sobre a inflação são fatores que aumentam a incerteza no ambiente econômico. “Por isso a gente está vendo um Fed dividido”, concluiu o analista.

Sobre o tom da ata, Will Castro Alves considerou que o documento foi levemente mais hawkish, mas sem trazer mudanças concretas. “A ata reforça a ideia de uma postura mais hawkish do Banco Central americano, mas ainda não vimos o aumento de juros”, afirmou.

Para ele, se a preocupação com a inflação for genuína, o próximo passo lógico seria elevar as taxas — uma expectativa já precificada pelo mercado, com os yields subindo nos últimos meses.

Debate sobre política monetária e balanço do Fed

Outro ponto importante abordado na entrevista foi a discussão sobre como a política monetária deve ser ajustada: por meio dos juros ou do balanço do Fed. O economista explicou que existe uma proposta para reduzir o tamanho e o impacto do banco central na economia. “Quando você vende o título, você devolve papel para o mercado e retira dinheiro de circulação.

Leia também

Isso é uma política monetária restritiva”, detalhou, ressaltando que essa abordagem poderia conter a inflação sem necessariamente aumentar a taxa básica de juros.

No entanto, nem todos os dirigentes concordam com essa estratégia. Apesar dos sinais levemente melhores da inflação nos últimos meses, Castro Alves acredita que ainda há tempo até a próxima reunião do Fed, marcada para setembro. Novos dados sobre inflação e emprego serão cruciais nesse processo.

Para ele, o papel fundamental do banco central deve ser preservar o poder de compra da moeda e controlar a inflação — uma tarefa que não vem sendo cumprida plenamente há bastante tempo.