Austrália apoia projetos de terras raras no Brasil com financiamento de até US$ 100 milhões, destacando a importância estratégica do Projeto Caldeira e Colossus
Recentemente, o governo australiano, por meio do Export Finance Australia, enviou cartas de apoio para financiamento de dois projetos de terras raras no Brasil. O valor total dos financiamentos pode alcançar até US$ 100 milhões. Na quarta-feira (7), a mineradora Meteoric Resources, responsável pelo Projeto Caldeira, anunciou a recepção de uma carta de apoio do Export Finance Australia.
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Os depósitos conhecidos como IACD (Ion Adsorption Clay Deposits) são considerados raros e possuem grande valor estratégico. Ao contrário dos grandes maciços rochosos, esses depósitos permitem a extração de minerais de maneira menos agressiva e com menor impacto ambiental.
O financiamento visa apoiar o desenvolvimento do Projeto Caldeira, contratando empresas australianas de engenharia, suprimentos e construção.
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O projeto já conta com o apoio financeiro do Export-Import Bank of the United States, agência de crédito à exportação dos EUA. Stuart Gale, diretor-presidente da Meteoric, destacou a carta como um forte sinal de confiança na capacidade da empresa de se tornar um importante fornecedor de materiais críticos de terras raras.
Em dezembro, o projeto obteve a licença ambiental prévia e iniciou operações da planta-piloto, resultando na primeira produção de carbonato misto de terras raras.
Fontes próximas à mineradora indicam que o governo federal tem apoiado as negociações e se mostrado receptivo a investimentos. Em dezembro, Ana Paula Bittencourt, secretária nacional de Geologia, Mineração e Transformação Mineral, se reuniu com a embaixadora da Austrália no Brasil, Sophie Davies, para discutir a política de minerais críticos no país.
Após o anúncio, as ações da Viridis subiram mais de 12% na bolsa australiana. O Projeto Colossus possui reservas de argilas iônicas ricas em neodímio, praseodímio, térbio e disprósio, elementos essenciais para a produção de ímãs permanentes utilizados em veículos elétricos e equipamentos de alta tecnologia.
Além disso, o Colossus já foi considerado elegível para financiamento por outras agências internacionais, como a Bpifrance Assurance Export da França e a Export Development Canada. Essa elegibilidade demonstra que o projeto atende aos critérios exigidos para receber garantias ou crédito público, aumentando a confiança de bancos e investidores na sua viabilidade.
Austrália, Canadá e França classificam o Projeto Colossus como estratégico, em um esforço para diversificar fornecedores de terras raras e reduzir a dependência da China. O governo francês, por exemplo, incluiu o projeto no programa “Garantie de Prêt Stratégique”, que oferece garantias para financiamentos de iniciativas de interesse nacional.
Em dezembro, o projeto obteve a licença ambiental prévia, uma etapa crucial no processo de licenciamento. A Viridis espera tomar a decisão final de investimento no segundo semestre de 2026, com a intenção de se firmar como fornecedora de insumos para países ocidentais, especialmente os Estados Unidos, em um cenário de reorganização das cadeias globais de suprimento.
Autor(a):
Fluente em quatro idiomas e com experiência em coberturas internacionais, Ricardo Tavares explora o impacto global dos principais acontecimentos. Ele já reportou diretamente de zonas de conflito e acompanha as relações diplomáticas de perto.