Aumento no custo de transporte de ureia da Venezuela após a captura de Nicolás Maduro. Fretes sobem e preços caem, impactando o mercado brasileiro. Entenda!
O custo de transporte de ureia proveniente da Venezuela sofreu um aumento significativo após a operação dos Estados Unidos em 3 de janeiro, que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro. Apesar disso, os embarques devem continuar normalmente.
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Segundo análise da Argus Media, entre os dias 3 e 5 de janeiro, alguns armadores passaram a exigir um prêmio de risco de guerra, após um ataque aéreo que envolveu helicópteros e mísseis em Caracas e outras áreas do país. Contudo, a situação parece estar se estabilizando, com a expectativa de chegada de navios para carregar ureia nos próximos dias.
De acordo com um relatório assinado por Harry Minihan, os fretes para o carregamento de ureia venezuelana aumentaram consideravelmente nas últimas semanas, mesmo sem a inclusão de um prêmio adicional. O prêmio de risco de guerra pressiona os fornecedores, reduzindo as margens de lucro e elevando os custos das cargas que já podem ter sido adquiridas por tradings.
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Recentemente, os produtores venezuelanos reduziram os preços da ureia na base FOB (entrega nos portos), em resposta ao aumento da presença militar dos EUA na região, visando manter as exportações do produto. A Argus também informou que os preços da ureia granulada caíram para US$ 300 por tonelada/FOB (porto de José) na segunda quinzena de dezembro, representando um desconto de quase US$ 100 por tonelada em comparação a outras origens que abastecem mercados latino-americanos.
A ureia venezuelana é geralmente exportada para o Brasil e o México, além de outros mercados próximos. A Venezuela possui três grandes instalações de produção de ureia, com capacidade operacional combinada de até 2,2 milhões de toneladas por ano de ureia granulada e perolada.
No entanto, as exportações têm apresentado variações significativas nos últimos anos.
A consultoria Argus estima que as exportações de ureia da Venezuela devem ficar em pouco mais de 400 mil toneladas em 2025, uma queda em relação às mais de 700 mil toneladas registradas em 2020/21. Em 2024, aproximadamente 6% das importações brasileiras do fertilizante vieram da Venezuela, mas entre janeiro e novembro de 2025, essa participação caiu para menos de 5%.
As principais origens da ureia importada pelo Brasil em 2025 foram Nigéria, Rússia e Catar, com 23%, 16% e 15%, respectivamente.
Autor(a):
Gabriel é economista e jornalista, trazendo análises claras sobre mercados financeiros, empreendedorismo e políticas econômicas. Sua habilidade de prever tendências e explicar dados complexos o torna referência para quem busca entender o mundo dos negócios.