Atafona tem trechos onde o mar avança mais de 5 metros por ano e destrói casas
Estudo autorizado em 2026 investigará como a dinâmica do Rio Paraíba do Sul, obras e correntes intensificam a erosão que ameaça famílias.
Na faixa litorânea de Atafona, distrito de São João da Barra no Rio de Janeiro, casas destruídas pelo avanço do mar deixaram paredes rachadas, fundações expostas e ruínas sobre a areia. Em 2026, o município autorizou um estudo científico para analisar a erosão, que supera cinco metros anuais em alguns trechos.
O recuo da costa ocorre há décadas e resulta da combinação entre a dinâmica natural e alterações humanas no transporte de sedimentos. Na foz do Rio Paraíba do Sul, ondas, correntes marinhas e vento reorganizam continuamente a linha de praia e afetam áreas urbanizadas.
Por que o mar avança sobre Atafona
A erosão costeira atinge a faixa construída de Atafona desde meados do século 20. O processo retira areia da praia de forma contínua, enquanto mudanças no canal do Rio Paraíba do Sul intensificam a perda de sedimentos, segundo relatório técnico municipal.
A construção de barragens e a extração de areia também alteram esse transporte. O Serviço Geológico do Brasil descreve a região como um ambiente de delta moldado por ondas e antigas linhas de praia.
Parte do material erodido em Atafona segue para a Praia de Grussaí. Na prática, a areia desaparece de um trecho e reaparece em outro, revelando como a dinâmica do rio e do oceano interfere diretamente na costa ocupada.
Recuo extremo ameaça casas e famílias
Taxas acima de cinco metros por ano são classificadas como erosão extrema. Em palestra registrada pela Câmara Municipal de São João da Barra, o geólogo Eduardo Bulhões afirmou que essa velocidade é registrada em trechos específicos do distrito.
O processo é considerado crônico porque persiste ao longo do tempo, sem indício científico de uma interrupção natural. A intensidade varia entre diferentes áreas da praia e também ao longo do ano, conforme registros geológicos oficiais.
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Estudos apontam uma relação entre a vazão do Paraíba do Sul e o comportamento da costa. Quando a vazão máxima do rio diminui, a erosão tende a se intensificar no ano seguinte. A taxa não se repete de maneira uniforme em toda a extensão, mas pode levar o avanço do mar a áreas urbanizadas em poucos anos.
As ruínas na praia de Atafona mostram o impacto sobre o patrimônio construído. Construções perderam paredes, fundações ficaram expostas e terrenos desapareceram sob as ondas. Decreto municipal de 2023 registra famílias que viviam em áreas afetadas e tiveram as residências interditadas pela Defesa Civil.
Estudo autorizado em 2026 busca alternativas
O Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental (EVTEA), autorizado em 2026, deverá aprofundar a análise da dinâmica costeira e comparar medidas de mitigação e adaptação. O Diário Oficial informou em março de 2026 que a avaliação envolveria fatores oceanográficos, climáticos e hidrossedimentológicos.
O trabalho terá como foco áreas urbanas, equipamentos públicos e populações vulneráveis. Em 10 de julho de 2026, a Prefeitura de São João da Barra informou a assinatura da ordem de serviço para o início do estudo.
O Portal oficial indicou prazo médio de 30 dias para a apresentação do Plano de Trabalho, que deverá organizar etapas, métodos e cronograma. A contratação passou por planejamento, financiamento e licitação em anos anteriores, conforme registros municipais de 2024, 2025 e 2026.
A avaliação deverá esclarecer como ondas, sedimentos e condições hidrossedimentológicas moldam o recuo da costa. Também terá de comparar alternativas estruturais e não estruturais, estimar os custos e benefícios de cada medida e analisar possíveis impactos sobre ecossistemas costeiros e deltaicos.
Em julho de 2026, o portal municipal registrou ainda uma ação emergencial no Pontal de Atafona para conter o avanço da água provocado por ressaca associada à maré. O estudo não encerra o problema, mas cria uma base técnica para orientar decisões sobre moradia, planejamento urbano e proteção da população.