
O plenário da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul aprovou, nesta terça-feira (7), um projeto de lei que estabelece o programa de combate à violência sexual contra crianças e adolescentes como política pública estadual. A proposta foi idealizada pela deputada Laura Sito (PT).
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A iniciativa visa transformar em política de Estado um programa que já demonstra eficácia, focado em prevenir o abuso sexual em ambientes escolares. O projeto se baseia na experiência da Polícia Civil, que realiza palestras educativas em escolas sobre diferentes formas de abuso, incluindo as virtuais, envolvendo tanto alunos quanto professores.
O objetivo central é criar um ambiente de confiança nas escolas, facilitando que vítimas se sintam seguras para relatar o abuso e quebrando o ciclo do silêncio. Dados coletados ao longo de 2025 mostram um impacto significativo das ações.
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Nesse período, foram realizadas 164 palestras em escolas localizadas em 39 municípios gaúchos, alcançando aproximadamente 12,5 mil pessoas. Além disso, essas ações contribuíram para o registro de 71 boletins de ocorrência e resultaram em 13 prisões preventivas.
Segundo a deputada Laura Sito, o projeto também fortalece o combate mais amplo à violência de gênero. Ela argumenta que a violência sexual contra adolescentes está intrinsecamente ligada a uma cultura que normaliza a violência contra as mulheres.
“Prevenir desde cedo é romper ciclos que, muitas vezes, culminam em agressões graves e até feminicídios”, afirmou a parlamentar. Ela considera que oficializar o programa eleva essa ação de um evento pontual para um dever permanente do Estado.
Laura Sito enfatizou que a prevenção deve começar muito antes dos casos mais graves. Para ela, a violência contra as mulheres tem suas raízes em momentos anteriores ao feminicídio, como o abuso silenciado na infância.
Ao implementar políticas preventivas na infância, atua-se justamente nesse ponto de origem. É fundamental ensinar às crianças que o que acontece com elas tem nome, que não é normal e que existe uma rede de apoio para protegê-las. Isso força o Estado a se preparar para ouvir e agir de forma responsável.
A deputada ressaltou que o projeto é fruto de um esforço coletivo, nascido da prática e da escuta de quem está na linha de frente. Transformar essa experiência em lei garante que a responsabilidade seja do Estado.
O principal desafio, segundo ela, será a implementação efetiva da lei. Isso exige prioridade política e a garantia de recursos orçamentários. É crucial estruturar uma rede integrada que envolva saúde, educação, assistência e segurança pública, com fluxos claros de atendimento.
O Programa Libertar, criado em 2023 pela escrivã Bianca Benemann de Almeida, vai além da repressão, focando no acolhimento e no fortalecimento da rede de proteção. A escrivã apontou que a maior barreira para a denúncia é o ambiente familiar.
Ela destacou que o programa permite que a criança se sinta segura ao falar com o Estado policial em um local conhecido, como a escola. Esse acolhimento imediato e o registro da ocorrência ali são considerados um avanço revolucionário no atendimento à prioridade absoluta.
Os resultados de 2025 já mostram o potencial do programa, que pode ser replicado em outros estados. A experiência já está ganhando projeção internacional, com apresentações em órgãos como a Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA.
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Autor(a):
Marcos Oliveira é um veterano na cobertura política, com mais de 15 anos de atuação em veículos renomados. Formado pela Universidade de Brasília, ele se especializou em análise política e jornalismo investigativo. Marcos é reconhecido por suas reportagens incisivas e comprometidas com a verdade.