As 5 figuras que moldaram a Independência do Brasil em 1822

A ruptura foi articulada por Pedro de Alcântara, José Bonifácio e Leopoldina, em meio a pressões das Cortes de Lisboa e disputas sobre o futuro do Brasil.

07/09/2026 03:10

4 min

Cena do Grito do Ipiranga reconstitui o momento da ruptura com Portugal em 1822.
Cena do Grito do Ipiranga reconstitui o momento da ruptura com P...

A Semana da Pátria, celebrada de 1º a 7 de setembro, relembra o processo de emancipação política do Brasil e tem o Grito do Ipiranga como principal símbolo. A programação cívica foi instituída por decreto federal ainda na primeira metade do século 20.

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A separação entre Brasil e Portugal, porém, não se resume ao gesto atribuído a uma única pessoa às margens de um riacho em São Paulo. Documentos, correspondências e atas de época indicam uma articulação política, diplomática e bélica que envolveu diferentes personagens em 1822.

Os nomes por trás da ruptura com Portugal

Pedro de Alcântara, então Príncipe regente do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, sofria pressão das Cortes de Lisboa para voltar à Europa e reduzir o Brasil novamente à condição de colônia. A recusa, apoiada por setores da elite brasileira favoráveis à separação, levou à declaração de ruptura registrada na .

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A frase “Independência ou Morte!” tornou – se o símbolo oficial do processo e aparece em registros de memorialistas que acompanharam a comitiva. A decisão de Pedro de Alcântara, contudo, foi precedida por meses de correspondências com conselheiros no Rio de Janeiro, que defendiam a permanência do príncipe e o avanço da ruptura.

José Bonifácio de Andrada e Silva teve papel central nesse movimento. Nascido em Santos, formado na cidade portuguesa de Coimbra e com carreira como cientista e político em Portugal, ele assumiu em 1821 o Ministério do Reino e Estrangeiros ao lado de Pedro de Alcântara.

Bonifácio ajudou a estruturar a administração do novo Estado e participou da formulação de propostas que já discutiam o fim gradual da escravidão. A posição o colocou em conflito com parte da elite agrária. Em texto apresentado à Assembleia Constituinte sobre a escravatura, afirmou: “ou reformamos, ou a revolução se fará por si mesma, mas então será horrorosa”.

Regência, guerra e disputa política

Leopoldina também ocupou uma posição decisiva. Arquiduquesa da Áustria e esposa de Pedro de Alcântara, ela presidiu o Conselho de Estado no Rio de Janeiro durante a viagem do marido a São Paulo, em agosto e setembro de 1822.

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Na ausência do príncipe, Leopoldina recebeu despachos de Lisboa que exigiam o retorno dele e a submissão do Brasil às Cortes portuguesas. Registros de arquivo indicam que ela e José Bonifácio redigiram correspondências recomendando que Pedro de Alcântara não cedesse à pressão portuguesa.

Antes de se tornar imperatriz, ela já assinava despachos administrativos como regente interina.

Na Bahia, a independência também foi marcada por combates. Tropas portuguesas resistiam à adesão da província ao movimento, e o cerco a Salvador terminou apenas em julho de 1823, quase um ano depois do Grito do Ipiranga. Maria Quitéria integrou o Batalhão de Voluntários do Príncipe e participou de combates em Cachoeira e Pirajá.

Depois que sua identidade foi descoberta, Maria Quitéria permaneceu na tropa por decisão de seus superiores, diante do desempenho em campo. O episódio foi registrado em relatórios militares da época e lhe rendeu, mais tarde, patente honorária concedida por Dom Pedro I.

A imprensa também ajudou a preparar o ambiente político para a separação. Joaquim Gonçalves Ledo, jornalista e maçom ligado à Loja Comércio e Artes, publicou no Rio de Janeiro textos favoráveis à autonomia brasileira e à convocação de uma assembleia constituinte nacional, independente das Cortes de Lisboa.

Entre 1821 e 1822, a atuação de Ledo na imprensa e nas redes políticas da capital contribuiu para formar o clima de opinião que sustentou a decisão de Pedro de Alcântara. Ele ainda integrou, ao lado de Bonifácio, a comissão que redigiu o primeiro projeto de Constituição para o Brasil independente.

Por que ampliar a visão sobre a Independência

A parceria entre Joaquim Gonçalves Ledo e José Bonifácio terminou meses depois, por divergências sobre o grau de poder que o novo imperador deveria concentrar. Para pesquisadores do período, o episódio mostra que 1822 não seguiu um roteiro único: havia disputas sobre o tipo de país que o Brasil deveria construir.

Reunir essas trajetórias não reduz o papel de Dom Pedro I. A abordagem mostra, na prática, que o 7 de setembro foi o desfecho de uma disputa política iniciada meses antes e seguida por conflitos armados que continuaram por quase um ano em outras regiões do país.

Esse contexto aparece em acervos como o do Museu do Ipiranga, em São Paulo, e o do Museu Histórico Nacional, no Rio de Janeiro. Os dois mantêm exposições permanentes sobre o período e ajudam a apresentar aspectos da Independência que costumam ficar fora das legendas oficiais de museus e monumentos visitados durante a Semana da Pátria.

Autor(a):

Com formação em Jornalismo e especialização em Saúde Pública, Lara Campos é a voz por trás de matérias que descomplicam temas médicos e promovem o bem-estar. Ela colabora com especialistas para garantir informações confiáveis e práticas para os leitores.

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