Um novo estudo, liderado por pesquisadores da Universidade da Colúmbia Britânica, campus Okanagan, no Canadá, revela um mecanismo fundamental para a manutenção das chuvas na Amazônia. A pesquisa se concentra nos chamados “rios voadores”, correntes invisíveis de vapor que viajam pela atmosfera, transportando enormes quantidades de umidade através do continente. O foco principal é a transpiração das árvores, que impulsiona grande parte das chuvas locais durante a estação seca.
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A pesquisa, publicada na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), investigou como as árvores acessam a água durante o período mais seco do ano. Descobriu-se que, nas colinas, cerca de 69% da transpiração vem do solo raso (50cm) alimentado por chuvas recentes da estação seca. Já nos vales, apenas 46% provém dessa fonte, pois as árvores acessam água subterrânea próxima a córregos.
A descoberta de que a maior parte da transpiração vem de água recente do solo raso surpreendeu os pesquisadores, que antes acreditavam que as árvores dependiam principalmente de reservas profundas de água subterrânea ou da umidade armazenada na estação chuvosa. O fator determinante é a “resistência ao embolismo”, que mede a capacidade das árvores manterem fluxo hídrico nos tecidos durante secas. O embolismo pode ser definido como a diferença entre árvores que tem seus vasos condutores (xilemas) entupidos por bolhas de ar e aquelas que mantêm esses “encanamentos” funcionando mesmo em condições adversas.
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O estudo revelou que quanto mais forte a resistência ao embolismo, maior é o uso de água superficial recente. Essa é a primeira pesquisa científica a correlacionar a reciclagem acelerada de chuvas da estação seca via transpiração com a capacidade das árvores de resistir ao embolismo. A imensa diversidade amazônica faz com que as espécies usem estratégias distintas para acessar a água no solo.
“Sem a floresta, não há chuva, e sem chuva, não há floresta”, dizem os autores do estudo. Além das ameaças físicas, como desmatamento e mineração, mudanças políticas recentes no Brasil, como a Lei Geral do Licenciamento Ambiental (15.190/2025), também representam riscos para os ecossistemas amazônicos. A interrupção dos ciclos hídricos não só reduz as chuvas, mas também ameaça a biodiversidade e a segurança alimentar. A preservação das florestas tropicais deve liderar as agendas políticas globais, especialmente com a proximidade da COP 30.
Autor(a):
Gabriel é economista e jornalista, trazendo análises claras sobre mercados financeiros, empreendedorismo e políticas econômicas. Sua habilidade de prever tendências e explicar dados complexos o torna referência para quem busca entender o mundo dos negócios.
