Arqueólogos descobrem corante raro em túmulos romanos de York com 1.700 anos de história

Descoberta de Corante Raro em Túmulos Romanos em York
Em uma importante descoberta na cidade de York, na Inglaterra, arqueólogos e químicos da Universidade de York identificaram vestígios do raro corante “púrpura tíria” (ou púrpura de Tiro) em túmulos romanos com cerca de 1.700 anos. Este pigmento, associado à realeza e à aristocracia, é mencionado em várias passagens bíblicas e foi encontrado em tecidos finos que envolviam os corpos de dois bebês.
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Na Bíblia, o corante luxuoso é destacado em diferentes contextos. No livro de Atos dos Apóstolos (16:14), Lídia, uma “vendedora de tecido de púrpura, da cidade de Tiatira”, se converte após ouvir a mensagem do apóstolo Paulo. Já no Evangelho de Marcos (15:17), o manto de púrpura é utilizado pelos soldados romanos para vestir Jesus Cristo, em uma zombaria à sua acusação de ser o “Rei dos Judeus”, antes de sua crucificação.
Luxo e Status no Império Romano
Os túmulos descobertos datam do final do século III ou início do século IV d.C. e fazem parte da coleção do York Museums Trust. O primeiro bebê foi enterrado ao lado de dois adultos em um caixão de pedra, enquanto o segundo estava em um caixão de chumbo.
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O gesso líquido derramado sobre os corpos amortalhados preservou as impressões e fragmentos químicos do tecido. A análise revelou que os recém-nascidos foram envoltos no corante mais prestigioso do mundo romano, adornado com fios de ouro.
Durante a era romana, a púrpura tíria era um produto extremamente valioso, custando até três vezes mais do que o ouro. Sua fabricação era um processo complexo que envolvia o esmagamento de milhares de moluscos marinhos da espécie murex para extrair pequenas quantidades do pigmento.
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O nome do corante deriva de sua principal área de produção, a cidade de Tiro, na Fenícia, que corresponde ao atual território do Líbano.
Amor e Luto na Antiguidade
A identificação química foi realizada pelo Centro de Excelência em Espectrometria de Massa da Universidade de York, sob a liderança das doutoras Jackie Mosely e Jennifer Wakefield, que conseguiram detectar resíduos invisíveis a olho nu. A pesquisa faz parte do projeto “Vendo os Mortos”, coordenado pela professora Maureen Carroll do Departamento de Arqueologia.
Para os historiadores, as descobertas vão além do luxo. O achado desafia a ideia moderna de que os romanos não sofriam com a morte infantil, uma vez que antigas leis e tradições proibiam o luto público de bebês em uma época em que 30% das crianças morriam antes de completar um ano de idade. “Pela primeira vez, temos a confirmação do uso desse corante caro na York romana, indicando que os habitantes ricos da cidade tinham acesso a mercadorias valiosas e exóticas vindas do outro extremo do império”, explicou a professora Carroll.
Ela acrescenta que essa descoberta notável revela muito sobre a importância das crianças na York romana e a disposição da família em proporcionar ao seu bebê a melhor despedida possível em circunstâncias trágicas.
Autor(a):
Sofia Martins
Com uma carreira que começou como stylist, Sofia Martins traz uma perspectiva única para a cobertura de moda. Seus textos combinam análise de tendências, dicas práticas e reflexões sobre a relação entre estilo e sociedade contemporânea.



