Armínio Fraga alerta: Brasil caminha para a UTI fiscal! Dívida pública pode chegar a 99% do PIB até 2030. Descubra os desafios econômicos que nos cercam!
“Não estamos na UTI, mas estamos caminhando para lá”, afirmou o ex-presidente do Banco Central, Armínio Fraga, em entrevista à revista The Economist. A publicação destaca que a deterioração do cenário fiscal brasileiro coloca o país em uma trajetória preocupante.
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A dívida pública bruta do Brasil deve alcançar 99% do PIB em 2030, um aumento significativo em relação aos 62% registrados em 2010, conforme projeções do FMI. Além do “desperdício” governamental, a revista aponta que “a economia brasileira está sendo sufocada por interesses arraigados”, referindo-se ao que chamou de “setor público mimado”.
Os gastos com programas de assistência social, segundo a publicação, acabam se tornando uma “cortina de fumaça” que encobre a capacidade de grupos influentes de obter benefícios do governo. Fraga, que se considera um liberal clássico, enfatizou que cortar investimentos em saúde e educação não seria sua prioridade.
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A revista ressalta que os principais problemas da economia incluem as pensões e um sistema tributário extremamente complexo. Embora reconheça que uma reforma tributária poderia impulsionar o PIB, a situação previdenciária é alarmante. O Brasil, com uma população jovem, já enfrenta despesas previdenciárias que se aproximam de 9%, comparáveis às de países como Japão e membros da OCDE.
Com 40 milhões de trabalhadores no setor privado e 13 milhões de servidores públicos, as despesas com previdência são praticamente equivalentes nos dois sistemas. Isso torna o Brasil uma exceção global, onde benefícios generosos atraem profissionais qualificados para o setor público, resultando em aposentadorias que subsidiam a riqueza nacional.
O custo das aposentadorias é de 1,3% do PIB, e o governo federal perde anualmente cerca de 2,5% do PIB devido a decisões judiciais que determinam pagamentos elevados de pensões e benefícios sociais. O secretário Dario Durigan, do Ministério da Fazenda, destacou a necessidade de reformas estruturais, como a reforma da previdência, para garantir um sistema mais justo.
A revista The Economist observa que o Congresso tem tentado restaurar a confiança do mercado com medidas para conter o déficit primário. Contudo, a falta de reforma na previdência pode custar ao Brasil entre meio e um ponto percentual de crescimento do PIB anualmente, totalizando até US$ 250 bilhões na próxima década.
O futuro do Brasil depende da coragem dos parlamentares eleitos em outubro para enfrentar interesses estabelecidos. A reforma da previdência é considerada uma questão delicada, e a falta de ação pode levar o país a uma estagnação e a uma crise econômica profunda.
Autor(a):
Gabriel é economista e jornalista, trazendo análises claras sobre mercados financeiros, empreendedorismo e políticas econômicas. Sua habilidade de prever tendências e explicar dados complexos o torna referência para quem busca entender o mundo dos negócios.