No Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência, conheça a bióloga Ariane Ferreira, que luta pela conservação da biodiversidade no semiárido brasileiro
O Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência, comemorado em 11 de fevereiro, destaca a trajetória da bióloga Ariane Ferreira. Atuando como analista de projetos socioambientais na Associação Caatinga, Ariane se dedica à conservação da biodiversidade no semiárido brasileiro, especialmente na Reserva Natural Serra das Almas, localizada entre Crateús (CE) e Buriti dos Montes (PI).
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Seu trabalho envolve o monitoramento do periquito cara-suja (Pyrrhura griseipectus), uma espécie ameaçada que retornou à região após mais de cem anos, graças ao projeto de reintrodução Refaunar Arvorar. Esta iniciativa é uma colaboração entre a Associação Caatinga, a ONG Aquasis e o Parque Arvorar.
A rotina de campo de Ariane exige uma observação atenta, que abrange desde a análise das rotinas alimentares até o mapeamento dos padrões de comportamento. Ela enfatiza que o sucesso do projeto depende da colaboração com a equipe de guarda-parques.
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Para Ariane, “esse trabalho não é solitário. Ele é construído coletivamente, a partir da observação compartilhada e do acompanhamento contínuo dos cara-sujas”.
Natural de São José (SC) e graduada pela UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), Ariane transformou seu interesse de infância pelos animais em uma carreira científica, através de experiências práticas e voluntariado em ornitologia. Sua trajetória profissional se consolidou em Curaçá (BA), onde participou da reintrodução da ararinha-azul e coordenou equipes compostas por moradores locais, unindo ciência e comunidade.
Em 2024, após participar do censo do periquito cara-suja na Serra de Baturité, Ariane fortaleceu sua atuação na Serra das Almas, enfrentando os desafios logísticos de seu trabalho. Mesmo com longas jornadas que se estendem após o pôr do sol para organizar dados, ela se compromete a inspirar novas gerações.
Para as meninas que desejam seguir na ciência, mas que enfrentam inseguranças, Ariane oferece um conselho importante: “O medo existe, mas não pode paralisar. Procure outras mulheres, converse, peça apoio e não desista. Isso faz toda a diferença.
A ciência também é um espaço nosso”.
Autor(a):
Ambientalista desde sempre, Bianca Lemos se dedica a reportagens que inspiram mudanças e conscientizam sobre as questões ambientais. Com uma abordagem sensível e dados bem fundamentados, seus textos chamam a atenção para a urgência do cuidado com o planeta.