Milhares de pessoas participaram de manifestações em diversas cidades da Argentina nesta segunda-feira (9) em celebração ao Dia Internacional da Mulher. A mobilização, que ocorreu um dia após a data oficial, foi organizada para apoiar uma greve de mulheres e expressar preocupações com as políticas do governo.
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Em Buenos Aires, uma marcha de grande porte percorreu as ruas, partindo do Congresso até a Plaza de Mayo, com o objetivo de repudiar o que os manifestantes consideravam um “ajuste” e uma “política de fome” implementada pelo governo.
Críticas à Reforma Trabalhista
A principal crítica à administração de Javier Milei se concentra na recente reforma trabalhista, que tem gerado controvérsia. A medida, aprovada há duas semanas, é vista como “escravista” por muitos, pois permite, entre outras coisas, pagamentos em espécie, limita o direito de greve e autoriza jornadas de trabalho extensas sem a compensação de horas extras.
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A militante feminista Luci Cavallero ressaltou que a greve e a mobilização são uma resposta direta a essas políticas.
Alerta da ONU sobre o Desfinanciamento
A Organização das Nações Unidas (ONU), através do Comitê da ONU para a Eliminação da Discriminação contra a Mulher (Cedaw), emitiu um alerta sobre as consequências da dissolução do Ministério das Mulheres pelo governo de Milei. A organização argumenta que essa medida resultou em uma “fragmentação de responsabilidades” e uma “redução da capacidade técnica” dedicada à proteção dos direitos das mulheres.
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Além disso, o Cedaw expressou preocupação com o desfinanciamento da linha 144 de emergência para vítimas de violência doméstica, um problema que se agrava com o aumento do número de feminicídios registrados.
Dados sobre Desigualdade de Gênero
Um relatório do Instituto Dados Comprova (Idec) revelou dados alarmantes sobre a desigualdade de gênero na Argentina. As mulheres ganham, em média, 26% menos que os homens e lideram a maioria dos lares monoparentais. A situação é agravada pela crescente preocupação com o número de feminicídios, que atingiram 271 em 2025 e 295 em 2024, conforme dados da Defensoria do Povo.
Reações e Reflexões
Graciela, uma funcionária pública de 62 anos, expressou sua frustração com a situação: “É importante lutar pelos nossos direitos. Ainda mais neste momento em que estamos perdendo muitas coisas com este governo”. A manifestação, marcada por lemas como “Nem uma a menos” e “Por que odeiam mais as feministas do que um estuprador?”, demonstra a força e a determinação das mulheres argentinas na busca por justiça e igualdade.
