Arábia Saudita Investe em Minerais: A Estratégia que Pode Transformar o Cenário Global

A Arábia Saudita intensifica sua estratégia mineral, buscando diversificar a economia e reduzir a dependência do petróleo. Descubra os planos audaciosos!

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(Imagem de reprodução da internet).

Minerais em Alta: A Nova Estratégia da Arábia Saudita

Os minerais estão novamente em evidência, especialmente após o anúncio do presidente dos Estados Unidos na quarta-feira (21), sobre um possível acordo relacionado à Groenlândia. Esse acordo incluiria direitos sobre minerais de terras raras, essenciais para tecnologias que promovem a transição para energia limpa, inteligência artificial e equipamentos militares.

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Atualmente, a produção desses minerais é amplamente dominada pela China, que controla mais de 90% da produção mundial de terras raras refinadas.

Em uma entrevista à CNN, Abigail Hunter, diretora executiva do Centro de Minerais da SAFE, destacou que a China está “anos-luz à frente” dos EUA, devido a décadas de investimentos estratégicos e coordenação com o setor privado. Enquanto isso, a Arábia Saudita está expandindo seu setor mineral para diminuir a dependência do petróleo e aumentar sua influência geopolítica.

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Reservas e Investimentos da Arábia Saudita

A Arábia Saudita afirma ter US$ 2,5 trilhões em reservas minerais, que incluem ouro, zinco, cobre e lítio, além de depósitos de terras raras como disprósio e neodímio. Esses minerais são utilizados em diversas indústrias, desde veículos elétricos até turbinas eólicas.

O orçamento saudita para exploração mineral cresceu 595% entre 2021 e 2025, embora ainda seja modesto em comparação com países como Canadá e Austrália.

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A intensificação do licenciamento de novas áreas de mineração para empresas nacionais e internacionais é uma prioridade. No entanto, Hunter ressalta que a mineração é um processo de longo prazo, com a construção de plantas de processamento podendo levar de três a cinco anos, e em algumas jurisdições, até 29 anos.

Visão 2030 e Parcerias Estratégicas

A Arábia Saudita está reduzindo a burocracia e diminuindo impostos para atrair investimentos no setor mineral. Durante o Future Minerals Forum, a mineradora estatal Maaden anunciou um investimento de US$ 110 bilhões em metais e mineração na próxima década, incluindo parcerias internacionais.

O CEO da Maaden, Bob Wilt, enfatizou a importância de colaborações para alcançar os objetivos do setor.

Embora o valor dos minerais ainda seja pequeno em comparação ao petróleo, a Arábia Saudita busca diversificar sua economia por meio do plano Visão 2030, que considera a mineração um pilar fundamental. O país também visa expandir a cadeia de suprimentos para indústrias nacionais, estabelecendo metas ambiciosas para a fabricação de veículos elétricos.

Desafios e Oportunidades no Setor Mineral

A crescente infraestrutura da Arábia Saudita pode posicioná-la como um polo regional para o refino de minerais críticos. Hunter menciona a importância de parcerias com países africanos para processar minerais localmente. As ambições sauditas despertaram o interesse dos EUA, especialmente após a intensificação dos controles de exportação de terras raras pela China.

Recentemente, a Arábia Saudita anunciou investimentos em infraestrutura e tecnologia nos EUA, incluindo uma colaboração em minerais com o Departamento de Defesa. Melissa Sanderson, do Instituto de Minerais Críticos, destacou que a Arábia Saudita possui uma “quantidade confiável de energia” e expertise em refino, o que pode torná-la uma alternativa à China.

Desafios Ambientais e Geopolíticos

Entretanto, as credenciais ambientais da Arábia Saudita ainda precisam ser comprovadas, especialmente após sua oposição a um projeto de resolução na Assembleia da ONU que busca maior transparência na cadeia de suprimentos. A instabilidade no Oriente Médio e as relações diplomáticas complexas com países africanos ricos em minerais também representam desafios.

Por outro lado, a Arábia Saudita pode buscar parcerias com países da Ásia Central, onde a Aramco já mantém relações. Sanderson conclui que as transformações econômicas em curso visam elevar a posição política do país, tornando-o um ator essencial no cenário geopolítico global. “Esta é uma estratégia voltada para o poder e a influência a longo prazo”, finaliza.

Autor(a):

Ex-jogador de futebol profissional, Pedro Santana trocou os campos pela redação. Hoje, ele escreve análises detalhadas e bastidores de esportes, com um olhar único de quem já viveu o outro lado. Seus textos envolvem os leitores e criam discussões apaixonadas entre fãs.

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