Arábia Saudita avalia retaliação a ataque houthi que matou 13 em Riad
O governo saudita busca aliados internacionais após o ataque, enquanto os houthis demonstram capacidade bélica ampliada com mísseis mais sofisticados.
Pelo menos 13 pessoas morreram em um ataque com mísseis ao aeroporto de Riad, na Arábia Saudita, no último sábado. O governo saudita atribuiu a ação aos houthis do Iêmen, grupo aliado do Irã, e o episódio já é considerado o mais mortal em território saudita em mais de uma década.
O ataque ocorre em meio a uma ofensiva lançada por Riad na semana passada para apoiar as forças do governo iemenita contra os rebeldes. Até agora, os houthis conseguiram manter suas posições e, em vez de recuar, intensificaram a campanha contra o reino.
O bombardeio ao aeroporto foi o ponto mais alto dessa escalada.
Houthis mais poderosos e com armas sofisticadas
Há menos de duas décadas, os houthis eram um pequeno movimento de renovação religiosa. Com apoio iraniano, se transformaram em uma força equipada com mísseis balísticos capazes de atingir alvos tão distantes quanto Tel Aviv. Um funcionário do sul do Iêmen que lutou contra o grupo afirmou à CNN que os ataques ficaram “mais sofisticados” e que os rebeldes “aprimoraram sua inteligência”.
O governo do Iêmen acusa os houthis de trabalhar com especialistas da Guarda Revolucionária do Irã para modificar mísseis. Segundo Majed al-Nazili, porta-voz das Forças Armadas do Iêmen, os novos mísseis voam mais rápido e usam rastreamento térmico para localizar fontes de calor.
Ainda não se sabe se esse tipo de armamento foi usado no ataque de sábado.
A busca por tecnologia mais avançada pode ter chegado à inteligência artificial. A empresa Anthropic informou que um grupo baseado no norte do Iêmen usou suas ferramentas de IA Claude para desenvolver softwares de orientação para foguetes e mísseis.
Leia também
A localização do grupo, em área controlada pelos houthis, sugere uma possível ligação com os rebeldes.
Riad busca aliados, mas EUA evitam ataques diretos
Diante da ameaça, a Arábia Saudita tem recorrido a parceiros internacionais. França, Reino Unido e Paquistão se comprometeram a ajudar, enquanto a Turquia avalia enviar apoio. O príncipe herdeiro Mohammed bin Salman também teria pedido ajuda à Síria, cujo presidente, Ahmed al-Sharaa, liderou facções que expulsaram grupos apoiados pelo Irã do país após uma década de guerra civil.
O maior aliado de Riad, os Estados Unidos, não apoiou ataques aéreos contra os houthis. Em vez disso, enviou mais de 100 assessores militares para fornecer inteligência sob um comando conjunto recém-criado. Fontes disseram à CNN que o príncipe Mohammed conversou duas vezes com Trump no mês passado e pediu que ele atacasse os houthis, mas o presidente se recusou a intervir.
Entre os mortos no ataque ao aeroporto de Riad estava um cidadão americano, informou a autoridade saudita de aviação civil neste domingo. O episódio pode levar Trump a se envolver mais no conflito. “Os sauditas são bons combatentes”, disse Trump a jornalistas. “Mas acho que o ataque foi uma coisa terrível.” Questionado se os EUA participarão de retaliações, respondeu: “Podemos participar”.
Vulnerabilidade exposta e dilema militar de Riad
Apesar de possuir alguns dos sistemas de defesa aérea mais avançados dos EUA, a Arábia Saudita continua vulnerável. Sua infraestrutura, que transporta recursos valiosos por vastas áreas desérticas, é um alvo fácil para os drones de ataque baratos desenvolvidos pelos houthis.
O príncipe Mohammed bin Salman e seu irmão, o ministro da Defesa Khaled bin Salman, enfrentam opções limitadas. Até agora, Riad limitou sua atuação ao fornecimento de cobertura aérea à coalizão iemenita, sem mobilizar um contingente expressivo de tropas em solo.
Enviar soldados ao Iêmen mergulharia o reino em uma guerra terrestre prolongada e cara, em terreno acidentado, além de prejudicar a imagem de país estável que o príncipe vem construindo para atrair investimentos e turismo.