Apostas Online: 60% do Brasil Ameaçado e Fiocruz Lança Plano de Saúde

Aumento de Apostas Online e o Desafio da Saúde Pública no Brasil
Uma pesquisa recente, divulgada pela Meio/Ideia nesta quarta-feira (6), revelou que cerca de 60% da população brasileira acredita que as apostas online se tornaram um problema de saúde pública. O levantamento também apontou uma diferença de gênero, com homens demonstrando maior propensão a apostar em comparação com as mulheres.
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Adicionalmente, 44% dos entrevistados expressaram apoio à proibição das apostas online, que são legalizadas no país desde 2018.
Resposta da Fiocruz e Necessidade de Capacitação
Diante desse cenário preocupante, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em colaboração com o Ministério da Saúde, desenvolveu um curso de formação específico. O objetivo é preparar profissionais da área da saúde, incluindo aqueles da atenção primária e dos Centros de Atenção Psicossocial (Caps), para lidar com os impactos das apostas online na saúde mental.
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A iniciativa busca oferecer as ferramentas necessárias para identificar e tratar casos de vício em jogos de aposta.
Em entrevista à Rádio Brasil de Fato, a psicóloga Olga Jacobina, da Fiocruz, destacou a facilidade de acesso às apostas como um fator crucial no aumento do problema. “A possibilidade de apostar sem sair de casa tornou o acesso muito mais fácil, o que, consequentemente, elevou o comprometimento das pessoas com essa atividade”, explicou.
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Jacobina ressaltou que o problema vai além do endividamento financeiro, representando uma questão de saúde pública complexa.
Identificando os Sintomas e a Complexidade do Vício
A psicóloga enfatizou a falta de conscientização sobre o vício em jogos de aposta online, com indivíduos buscando ajuda em estágios avançados de dependência. “As pessoas geralmente não reconhecem o vício em jogos. Elas chegam ao sistema de saúde com sintomas como crises de ansiedade, após tentativas de autoajuda, conflitos familiares e dívidas com agiotas, chegando a um estado de fragilidade emocional”, relatou Jacobina.
O curso da Fiocruz visa abordar essa questão de forma abrangente, reconhecendo que o vício em jogos de aposta não é um caso isolado, mas sim um reflexo de problemas sociais e emocionais mais profundos. A capacitação dos profissionais é fundamental para identificar os sinais precoces e oferecer o suporte adequado.
Dados Demográficos e Vulnerabilidades Sociais
Olga Jacobina também reforçou os dados da pesquisa, que indicam que a maioria dos apostadores são homens e provenientes de grupos sociais mais vulneráveis. “Observamos que jovens, adolescentes e indivíduos em situação de pobreza são mais suscetíveis a esse tipo de vício, muitas vezes buscando uma forma de renda extra através das apostas”, afirmou.
Essa vulnerabilidade social agrava o problema, exigindo uma abordagem multifacetada.
Para indivíduos enfrentando dificuldades relacionadas ao vício em jogos online, a psicóloga recomenda buscar a Rede de Atenção Psicossocial (Raps), composta pela Unidade Básica de Saúde (UBS) como ponto de entrada no sistema, e, em casos mais graves, procurar atendimento nos Caps.
A Fiocruz busca fortalecer a rede de apoio para garantir que essas pessoas recebam o cuidado necessário.
Autor(a):
Lara Campos
Com formação em Jornalismo e especialização em Saúde Pública, Lara Campos é a voz por trás de matérias que descomplicam temas médicos e promovem o bem-estar. Ela colabora com especialistas para garantir informações confiáveis e práticas para os leitores.



