Após terremotos, Carolina de Jesús alerta sobre colapso do sistema de saúde na Venezuela
A situação crítica na Venezuela exige ação imediata, com hospitais sobrecarregados e a população enfrentando uma crise humanitária sem precedentes.
Após os devastadores terremotos que atingiram a Venezuela, a situação nas áreas afetadas é alarmante. Carolina de Jesús, diretora da Project HOPE no país, destacou que o sistema de saúde está em colapso total diante do aumento repentino de pacientes.
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Em La Guaira, epicentro da tragédia, ela relatou que as unidades de saúde não conseguiram lidar com a demanda e estão sobrecarregadas. “As redes locais de saúde estão entrando em colapso diante da avalanche de pacientes”, afirmou em um e – mail enviado à CNN.
A falta de leitos é tão crítica que, em algumas unidades, profissionais atendem pacientes no chão. A pressão sobre o sistema levou à transformação de uma lanchonete em hospital improvisado, onde médicos voluntários realizam consultas e procedimentos urgentes com medicamentos doados.
Enquanto isso, novos feridos continuam chegando e os tremores secundários não dão trégua.
Crise humanitária e deslocamento forçado
Fora dos hospitais, a emergência se espalha pelas ruas. De acordo com Carolina de Jesús, a destruição das moradias criou uma crise massiva de deslocamento. Muitas famílias estão dormindo em praças e espaços abertos, sem saber se poderão retornar para suas casas ou se as estruturas ainda de pé resistirão a novos tremores. “As pessoas vivem em um estado de profundo terror”, acrescentou.
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A resposta internacional à crise na saúde é coordenada pela OMS (Organização Mundial da Saúde) e pela Opas (Organização Pan – Americana da Saúde). As instituições mobilizaram equipes para atuar nas áreas afetadas e realizaram avaliações rápidas nos hospitais logo após os terremotos.
Os diagnósticos iniciais revelaram que todos os hospitais avaliados precisam de apoio externo imediato.
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Das oito unidades analisadas entre La Guaira e Caracas, três apresentaram danos estruturais significativos. O Hospital Dr. Rafael Medina Jiménez, por exemplo, perdeu 67,6% de sua capacidade de internação. Já o Hospital Vargas – IVSS em Caracas foi identificado como prioritário; apesar de não ter sofrido danos estruturais, sua capacidade operacional está severamente comprometida.
Desafios enfrentados pelos hospitais
A escassez de recursos é um problema crônico nos hospitais venezuelanos. Segundo estimativas da OMS antes dos terremotos, já havia uma falta de cerca de 37% dos medicamentos essenciais. Além disso, o relatório mais recente da Pesquisa Nacional de Hospitais indicava um déficit na capacidade cirúrgica que chegava a 60%.
Com apenas quatro salas cirúrgicas operando por unidade — quando o ideal seria dez — a situação se torna ainda mais crítica agora.
Os especialistas ressaltam a prioridade atual: atender os feridos e garantir que os hospitais continuem funcionando para outras doenças crônicas. “O mais importante são os traumatismos”, explicou Alberto Díaz Quiñónez, diretor regional da Escola de Medicina e Ciências da Saúde do Tecnológico de Monterrey.
A falta de materiais ortopédicos e leitos na terapia intensiva já é evidente nas unidades onde a Project HOPE atua.
A presidente interina Delcy Rodríguez reconheceu que o sistema está “abalado” durante uma entrega de insumos médicos no início deste mês. Ela atribuiu parte da crise às sanções internacionais, mas muitos especialistas argumentam que a deterioração do sistema é um processo histórico mais profundo.
Pontos críticos após o desastre
Embora as equipes estejam focadas nos resgates inicialmente, especialistas alertam que as semanas seguintes serão ainda mais desafiadoras. A superlotação nos abrigos e a falta d’água podem levar a surtos epidemiológicos nas próximas semanas. Jorge Baruch Díaz, responsável pela Clínica do Viajante da UNAM, destacou que o sistema já enfrenta problemas com baixa cobertura vacinal.
Além disso, o impacto psicológico nos sobreviventes e nas equipes médicas também será significativo. “O medo e a ansiedade afetam tanto os desabrigados quanto as equipes de resposta”, afirmou Díaz Quiñónez. Carolina de Jesús confirmou essa necessidade crescente por apoio psicológico para aqueles que lidam com perdas pessoais enquanto tentam salvar vidas.
Histórico trágico em La Guaira
A cidade já enfrentou tragédias semelhantes no passado. Em dezembro de 1999, chuvas torrenciais causaram deslizamentos que soterraram comunidades inteiras em um episódio que deixou cerca de 15 mil mortos ou desaparecidos. O acesso à água potável foi severamente comprometido na época e dependência do apoio internacional foi crucial para restabelecer serviços básicos.
Mais de 25 anos depois desse desastre histórico, La Guaira novamente enfrenta uma crise humanitária profunda. Os hospitais operam no limite enquanto milhares permanecem deslocados devido aos novos terremotos recentes. O risco agora é o surgimento de uma nova crise sanitária agravada pelas condições precárias atuais.