Animação sobre inventor brasileiro conquista China após estreia mundial
Amadeo conquista China após estreia mundial, impulsionado pela relevância histórica de um inventor brasileiro no século XIX.
O longa – metragem animado Amadeo,dirigido e roteirizado por Brenda Lígia em parceria com Edu Felistoque, está chegando ao público brasileiro após sua estreia mundial na China.
A obra já havia sido exibida no Festival Internacional de Cinema de Xangai, país asiático que recebeu a animação ainda neste mês de junho; agora é possível assistir à produção durante o festival realizado entre os dias 11 e 19 de setembro nesta capital chinesa.
O filme narra uma história rica ambientada no Brasil do século XIX — último território das Américas onde foi abolida oficialmente a escravidão—, contando sobre um jovem africano sensível e genial inventor da câmera fotográfica antes dos europeus
O enredo: invenção científica em meio ao romance proibido
Amadeopropõe aos espectadores acompanhar não apenas essa grande descoberta tecnológica, mas também as complexas relações humanas que cercam seu protagonista.
Enquanto se dedica à sua inventividade revolucionária na época brasileira, o personagem principal vive por conta de uma paixão considerada tabu. Ele nutre sentimentos intensos pela figura feminina chamada Linda; esse amor floresce no contexto do século XIX brasileiro enquanto ele trabalha para criar a fotografia e desafia os limites da ciência com suas descobertas
A importância histórica contada em animação
Em entrevista concedida ao programa É de Manhã, veiculado pela Rádio Brasil de Fato, Brenda Lígia detalhou como foi levar essa narrativa sobre negritude — um tema tão central à cultura afro – brasileira —, até mesmo fora das fronteiras brasileiras.
“Foi muito interessante. Eu fiquei positivamente impactada e surpresa com a recepção que os chineses tiveram”, relatou ela na ocasião. Líviaenfatizou o quão poderoso é contar sua história para culturas distantes do seu contexto racial: “lá não tem negros”.
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A cineasta descreveu momentos em que sentiu uma profunda conexão cultural ao ver as reações da plateia, afirmando ter sido acolhida por toda audiência generosa globalmente.” Ela complementa ainda sobre como foi emocionante mostrar àquele público distante um passado tão brasileiro quanto escravagista.
Sobre a temática central de Amadeo— o nosso histórico passadista —, Brenda Lígia reforça para os telespectadores brasileiros a necessidade urgente do conhecimento dessas raízes históricas. Segundo ela, é fundamental entender esse período traumático se quisermos compreender plenamente onde chegamos hoje em dia na sociedade brasileira; “Nossa bandeira tem mancha de sangue dos nossos ancestrais”.
Um exercício sobre ressignificar o futuro.“É importante olhar e realmente tentar entender por que há desigualdades presentes”, questiona Líviaao citar exemplos como as faculdades de medicina. A obra não busca apenas narrar fatos passados.
Pelo contrário: “Amadeo” propõe um verdadeiro convite a fazer uma reflexão profunda, pensando no nosso amanhã.
(O parágrafo final deve ser mais forte) A cineasta conclui dizendo que Amadeo foi criado justamente com o objetivo de dar orgulho às próximas gerações — mencionando até seu próprio filho de 11 anos —, mostrando que ter sangue negro é motivo de celebração e força; “Para as futuras gerações assistirem e pensarem: ‘Eu posso ser cientista, protagonista… eu posso ser tudo aquilo’”, resume Brenda Lígia. A obra está disponível em exibição na Rádio Brasil de Fato durante a semana do festival.