Aneel adia homologação do LRCap 2026 por incertezas jurídicas e ação da Abraenergias
A Aneel adia a homologação do LRCap 2026 por incertezas jurídicas. Entenda os desdobramentos dessa decisão e suas possíveis consequências para o setor.
Aneel adia homologação do LRCap 2026 devido a incertezas jurídicas
A Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) decidiu não incluir na pauta da próxima reunião de diretoria, agendada para o dia 19 de maio, a homologação do resultado do LRCap (Leilão de Reserva de Capacidade na forma de Potência) de 2026. Essa decisão foi motivada pela “incerteza jurídica” gerada por uma ação judicial que questiona o leilão.
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A informação foi revelada em um memorando interno assinado pelo diretor Fernando Mosna em 13 de maio, que foi obtido pela CNN.
O documento indica que a decisão foi tomada após a apresentação de uma ação civil pública pela Abraenergias (Associação Brasileira dos Sindicatos e Associações Representantes das Indústrias de Energias), que solicita a suspensão dos efeitos do leilão e, no mérito, a anulação do certame.
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A associação contesta principalmente a modelagem do leilão e os parâmetros econômicos e concorrenciais utilizados no processo.
Manifestação do MPF e cautela da Aneel
A cautela da Aneel aumentou após uma manifestação do MPF (Ministério Público Federal), que se posicionou a favor da suspensão imediata dos atos de homologação, adjudicação e assinatura dos contratos do leilão até que o processo judicial seja concluído. “Neste contexto, verifica-se a existência de incerteza jurídica quanto à matéria, na medida em que a controvérsia judicial instaurada ainda se encontra pendente de apreciação em sede de tutela de urgência, com potencial repercussão direta sobre os atos regulatórios em curso”, afirmou o diretor.
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No memorando, Mosna também destacou que a agência aguardava um novo pronunciamento da justiça, uma vez que o prazo dado pelo juiz para manifestação da Aneel estava se aproximando do fim e uma decisão liminar poderia ser emitida a qualquer momento.
O texto enfatiza que a diretoria reconheceu a existência de uma controvérsia judicial ainda pendente de apreciação. “Entende-se recomendável aguardar a deliberação do Poder Judiciário”, justificou Mosna ao explicar a não inclusão do processo na pauta da reunião da diretoria.
Controvérsias em torno do LRCap 2026
A decisão da Aneel ocorre em meio a uma crescente controvérsia relacionada ao LRCap 2026, que apresenta um volume inédito para esse tipo de leilão no Brasil. O certame tem sido alvo de críticas devido ao impacto estimado de R$ 515 bilhões aos consumidores ao longo dos contratos, ao baixo deságio registrado e à elevação de quase 100% no preço-teto em um curto espaço de 72 horas, sem uma divulgação detalhada dos fundamentos técnicos utilizados.
Embora o ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) mantenha uma posição “agnóstica” em relação às tecnologias de potência, ainda não há previsão para a realização do esperado leilão de baterias. Além disso, a entrada de agentes sem histórico operacional, a rápida formação de um mercado secundário de projetos e as dúvidas sobre a capacidade efetiva de execução dos empreendimentos vencedores também são fatores que aumentam a complexidade da situação.