Análise revela os perigos da escalada entre EUA e Irã e seus impactos globais em 2026
Carlos Frederico Coelho analisa os recentes ataques entre EUA e Irã e os riscos de uma escalada no conflito. Entenda as implicações globais e econômicas.
Análise dos Ataques entre EUA e Irã
Carlos Frederico Coelho, professor de Relações Internacionais da PUC-Rio e da Eceme (Escola de Comando e Estado-Maior do Exército), avaliou ao WW os possíveis desdobramentos dos ataques entre EUA e Irã ocorridos na terça-feira (9). Segundo ele, o custo político de uma nova escalada entre os dois países é alto demais para que qualquer um dos lados declare abertamente o fim do cessar-fogo.
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Coelho explicou que o cálculo iraniano se assemelha à teoria dos jogos, especificamente ao “jogo de chicken”, que envolve dois carros se aproximando em direções opostas, esperando que o outro desvie no último momento. Ele ressaltou que, considerando as armas disponíveis atualmente, esse tipo de confronto é “muito preocupante”.
Cessar-fogo como “ficção funcional”
O especialista descreveu o cessar-fogo vigente como uma “ficção funcional”. “Ambos os lados violam, mas nenhum quer declarar o fim porque o custo político de uma nova escalada é alto demais”, afirmou. Para Coelho, o episódio recente confirma que o conflito entrou em um estágio de baixa intensidade crônica — uma situação que, segundo ele, “é mais perigosa do que parece, porque de certa forma normaliza a violência”.
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Cada ciclo de ação e reação proporcional, alertou, “corrói um pouquinho mais a margem para um acordo real”.
Impactos Econômicos e a Questão do Líbano
O professor também destacou os efeitos econômicos do conflito, especialmente em relação ao estreito de Ormuz. “Enquanto Ormuz não abre, o mundo paga a conta dentro de um choque econômico que também vai se tornando sistêmico”, disse. Coelho lembrou que não é apenas petróleo que passa pelo estreito, ampliando o alcance das consequências globais.
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Outro ponto abordado foi a questão do Líbano. Segundo Coelho, “quem traz a questão do Líbano de volta para a mesa é o Irã”, em uma tentativa de dissociar a resolução desse conflito da questão israelense. O especialista avaliou ainda que, apesar de todos os ataques sofridos e de múltiplas lideranças terem sido assassinadas, o Irã sai estrategicamente fortalecido desse momento.
“Apesar de todos os ataques que sofreu, estrategicamente, o Irã, saindo desse conflito nesse momento, é melhor do que entrou”, concluiu.