
O cantor Amado Batista e a montadora chinesa de veículos elétricos BYD foram incluídos entre os 169 novos nomes na atualização da chamada Lista Suja do Trabalho Escravo. A divulgação ocorreu na segunda-feira, dia 6, pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Esta nova versão do cadastro torna públicos os dados de pessoas físicas e jurídicas que foram responsabilizadas por trabalho escravo, após passarem pelo direito de defesa em duas instâncias administrativas.
Uma vez listados, os empregadores permanecem no cadastro por dois anos. Contudo, é possível retirar o nome antes desse prazo se houver um acordo de regularização firmado com o MTE, passando a integrar uma lista de observação. Com esta atualização, o número total de empregadores na lista atinge 613.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Criada em novembro de 2003, a Lista Suja é revisada semestralmente pelo governo federal. É importante notar que o cadastro não impõe punições diretas, mas é amplamente utilizado por instituições financeiras e empresas para gestão de riscos, como na aprovação de financiamentos.
A Organização das Nações Unidas (ONU) reconhece esta relação como um dos instrumentos mais importantes globalmente no combate ao trabalho escravo. O processo exige que fiscais do trabalho realizem operações e concluam o processo administrativo, garantindo o direito de defesa do empregador antes da publicação.
Amado Batista foi autuado em duas fiscalizações distintas realizadas em 2024 no estado de Goiás, ambas relacionadas ao cultivo de milho. Segundo dados divulgados na Lista Suja, as operações ocorreram em uma propriedade rural de seu nome e em outra que ele arrendava.
O Ministério do Trabalho e Emprego informou que, no total, 14 trabalhadores estavam sob condições análogas à escravidão nas duas autuações. Em um dos casos, a infração apontada foi a jornada exaustiva, pois os lavradores trabalhavam desde a madrugada até o período noturno.
A legislação trabalhista estabelece um descanso mínimo de 11 horas entre jornadas. A jornada exaustiva, além de outras violações, configura trabalho escravo no Brasil, segundo o Código Penal. Os outros elementos incluem trabalho forçado, servidão por dívida e condições degradantes.
A montadora BYD foi incluída após o resgate de 163 trabalhadores chineses em sua fábrica em Camaçari, na Bahia. A primeira fiscalização ocorreu em dezembro de 2024, e o número de resgatados subiu para 224 com mais apurações.
Auditores fiscais do MTE refutaram a alegação da empresa de que os trabalhadores eram de terceirizadas. Eles apontaram a montadora como a empregadora direta, com vínculos empregatícios estabelecidos. Constatou-se que os alojamentos apresentavam condições degradantes, como um único vaso sanitário para 31 pessoas.
A Lista Suja cumpre um papel de transparência, permitindo que bancos e grandes compradores usem o cadastro como critério para restringir crédito e contratos. Dessa forma, ela atua como um mecanismo de pressão econômica para que empresas e produtores adotem práticas mais éticas e respeitem a legislação trabalhista brasileira.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Fique por dentro das últimas notícias em tempo real!
Autor(a):
Ex-jogador de futebol profissional, Pedro Santana trocou os campos pela redação. Hoje, ele escreve análises detalhadas e bastidores de esportes, com um olhar único de quem já viveu o outro lado. Seus textos envolvem os leitores e criam discussões apaixonadas entre fãs.