Alta do petróleo pode gerar bônus fiscal de R$ 100 bilhões para o Brasil até 2026!
A valorização do petróleo pode gerar um “bônus fiscal” de R$ 100 bilhões para o Brasil, mas também traz riscos inflacionários. Entenda os impactos!
A alta do petróleo e seu impacto fiscal no Brasil
A valorização do petróleo pode trazer um “bônus fiscal” significativo para o Brasil. De acordo com cálculos do FGV Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas), se os preços do Brent se mantiverem em torno de US$ 100 por barril até o final de 2026, a arrecadação da União pode ultrapassar os R$ 100 bilhões.
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Essa situação reflete a transformação do Brasil nas últimas duas décadas, que passou de um país com baixa produção de petróleo para um grande produtor.
Manoel Pires, pesquisador associado e coordenador do Observatório de Política Fiscal do FGV Ibre, comentou que o aumento no preço do barril resulta em um incremento no valor das exportações, melhorando as contas externas e elevando a arrecadação do governo de forma significativa.
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Risco inflacionário e medidas compensatórias
No entanto, esse cenário não está isento de riscos. Pires alertou que a alta do petróleo pode ter um efeito redistributivo negativo na economia, impactando os preços ao consumidor. “De um lado, há o benefício da arrecadação; do outro, o risco inflacionário”, destacou.
O governo tem buscado administrar essa situação através de medidas compensatórias.
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Sobre a defasagem nos preços da Petrobras, que é estimada em cerca de 49%, Pires mencionou que a empresa precisará considerar um reajuste adicional nos preços da gasolina após a implementação de subvenções, a fim de minimizar a defasagem e evitar prejuízos em sua política de preços.
Espaço para corte da Selic e política monetária
O relatório do FGV Ibre também prevê um impacto potencial de 0,9 ponto percentual no IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) caso haja repasses dos derivados de petróleo. Pires reconheceu que essa situação diminui o espaço para cortes na taxa de juros. “O espaço para se cortar juros ficou realmente um pouco menor”, afirmou.
Ele ressaltou que, devido à incerteza elevada, é prudente que o Banco Central adote uma postura cautelosa, coletando mais informações antes de tomar decisões sobre a política monetária.
O pesquisador enfatizou que, sem as medidas compensatórias do governo, a inflação seria consideravelmente maior, alterando o debate sobre política monetária.
Transição energética e perspectiva estrutural
Quando questionado sobre o risco de o Brasil adiar decisões estruturais na agenda de transição energética devido à receita gerada pelo petróleo, Pires foi enfático em descartar essa preocupação. Ele observou que o consumo de produtos derivados do petróleo, como gasolina e diesel, não aumentou nos últimos anos, em parte devido à substituição por insumos como biodiesel e etanol, além do avanço na agenda de diversificação energética.
Apesar do cenário favorável no curto prazo, Pires alertou que a questão fiscal continua sendo um problema estrutural no país e que, após o ciclo eleitoral, espera-se uma abordagem mais focada nesse aspecto.