Aliados de Nunes veem aproximação de Flávio com Marçal como risco eleitoral em SP

A aproximação cada vez maior de Flávio Bolsonaro (PL) com Pablo Marçal tem gerado desconforto entre aliados ligados ao prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB). A informação foi apurada pela CNN. Para esse grupo, a presença frequente do ex – coach ao lado do filho do ex – presidente pode ter o efeito contrário ao esperado pela campanha, que tenta ampliar a vantagem eleitoral no estado de São Paulo.
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O mal – estar tem raízes no histórico recente entre Marçal e Nunes. Os dois foram adversários diretos na eleição para a Prefeitura de São Paulo em 2024 e protagonizaram alguns dos momentos mais tensos daquela campanha. Marçal terminou o primeiro turno na terceira colocação, com 28,14% dos votos válidos, enquanto Nunes avançou ao segundo turno e acabou reeleito.
Aliados tentam conter danos na reta final
A aproximação de Flávio com Marçal se intensificou nos últimos dias da campanha presidencial de 2026. Marçal declarou apoio ao candidato do PL e participou, na noite desta quinta – feira (1º), da transmissão feita por Flávio logo após a desistência do debate da TV Globo.
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A live ocorreu sem a presença de figuras importantes da base paulista.
Ricardo Nunes, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e o candidato ao Senado André do Prado (PL) não participaram da transmissão. Entre os principais aliados paulistas de Flávio, o único presente foi Guilherme Derrite (PP), também candidato ao Senado e um dos nomes mais próximos do presidenciável em São Paulo.
A ausência dos demais foi interpretada como um sinal de descontentamento com a aliança com Marçal.
Nos bastidores, aliados de Nunes avaliam que a associação com Marçal pode afastar parte do grupo político que se uniu em torno de Flávio no estado. A preocupação é que a estratégia de ampliar a votação em São Paulo nesta reta final seja prejudicada.
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Apesar do incômodo, até o momento a insatisfação não se traduziu em um rompimento público com a campanha.
Estratégia de isolamento de Marçal nos atos
Para evitar que o desconforto vire uma crise aberta, Tarcísio e Nunes devem manter as agendas e manifestações de apoio a Flávio. Porém, há uma condição clara: que Marçal não esteja presente nos atos. A ideia é garantir o apoio da base sem que a imagem do candidato fique colada à do ex – coach.
O movimento tenta equilibrar a aliança com Marçal, que trouxe votos e visibilidade, sem afastar os aliados históricos de Nunes, que ainda carregam as marcas da disputa de 2024. A avaliação interna é que a presença de Marçal ao lado de Flávio pode ser um trunfo em algumas regiões, mas um passivo em outras, especialmente entre eleitores mais moderados.
A campanha de Flávio Bolsonaro vive, portanto, um dilema: como aproveitar o apoio de Marçal sem desgastar a relação com Nunes e Tarcísio. Até agora, a solução encontrada foi a de manter as agendas separadas, mas a tensão nos bastidores mostra que o equilíbrio é frágil.
Resta saber se a estratégia será suficiente para garantir a vantagem eleitoral em São Paulo até o fim da disputa.
Autor(a):
Marcos Oliveira
Marcos Oliveira é um veterano na cobertura política, com mais de 15 anos de atuação em veículos renomados. Formado pela Universidade de Brasília, ele se especializou em análise política e jornalismo investigativo. Marcos é reconhecido por suas reportagens incisivas e comprometidas com a verdade.



