Alcoolismo: Um Silêncio Devastador e a Força da Arte
Enquanto celebrações e momentos de alegria preenchem o cotidiano brasileiro, uma realidade sombria persiste: o alcoolismo. Dados recentes, revelados pelo Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (Cisa) com base em dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apontam para um cenário alarmante.
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Em 2025, 10,5% das mortes relacionadas ao consumo de álcool no país são atribuídas à dependência da substância, resultando em 21 óbitos a cada dia – um a cada hora. Paralelamente, quatro pessoas são hospitalizadas a cada hora em decorrência do mesmo problema.
Discussão Profunda sobre o Tema
Para aprofundar a discussão sobre o alcoolismo, sem cair em julgamentos, o programa da Rádio Brasil de Fato convidou a cineasta Rosane Svartman, diretora do filme (Des)controle, que chega aos cinemas com a história de uma escritora em luta contra o alcoolismo, interpretada por Carolina Dieckmann.
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O longa, escrito por Iafa Britz, busca apresentar uma imersão sensível e realista nos dilemas enfrentados por quem sofre com a doença e por aqueles que a cercam.
Origem do Filme
Svartman relata que a decisão de dirigir o filme surgiu de um lugar pessoal e coletivo. Ao ler o roteiro, ela se lembrou de uma amiga que faleceu devido à doença, e a frase que a personagem no filme proferiu – “Eu tô viva” – a inspirou a iniciar o projeto.
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A diretora enfatiza a importância da arte em abordar temas que são frequentemente ignorados ou romantizados na sociedade.
Diferenças de Gênero no Tratamento
Um dos pontos mais impactantes do filme é a forma como ele expõe as disparidades de gênero no tratamento social dado ao alcoolismo. Observa-se que uma mulher bêbada recebe uma atenção diferente de um homem, e uma mãe que bebe é frequentemente julgada, enquanto um pai que bebe é visto como “apenas estressado”.
Essa percepção reflete a complexidade do problema e a necessidade de uma abordagem mais igualitária.
Responsabilidade e Consultoria
Para garantir a responsabilidade na abordagem da doença, a equipe do filme buscou consultoria psiquiátrica e psicológica. O objetivo era abordar o tema sem estigmas, mas também sem romantizá-lo, reconhecendo a intersecção entre saúde mental, sobrecarga e relações familiares.
A roteirista Iafa Britz insistiu em realizar uma sessão aberta do roteiro com a equipe técnica, o que resultou em diversas pessoas buscando ajuda anonimamente, evidenciando o impacto da obra.
Reflexão e Impacto do Filme
Desde o lançamento, o filme tem recebido mensagens emocionantes de espectadores que se identificam com a trama ou buscam apoio após assisti-lo. Rosane Svartman acredita que a arte serve para iluminar conflitos, ajudar a refletir sobre a origem dos problemas e direcionar o futuro.
Em tempos de celebração, ela convida à reflexão, lembrando que a consciência no consumo de álcool é fundamental para uma experiência mais presente e segura.
