AIE prevê queda de 1,1 milhão de bpd na demanda global por petróleo em 2026 devido a choque no Golfo

A previsão da AIE sinaliza um impacto significativo na economia global, com a demanda por petróleo em queda devido à instabilidade no Golfo e preços elevados

(Imagem de reprodução da internet).

AIE prevê queda na demanda global por petróleo devido a choque na oferta no Golfo

A Agência Internacional de Energia (AIE) divulgou um relatório mensal nesta quarta-feira, 17 de fevereiro de 2026, afirmando que o choque na oferta de petróleo no Golfo deve reduzir a demanda global antes que os fluxos pelo Estreito de Ormuz se normalizem gradualmente.

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A AIE projeta que a oferta de petróleo se recuperará significativamente, alcançando 8 milhões de barris por dia (bpd) em 2027, após a contração deste ano provocada pela guerra no Oriente Médio.

O relatório destaca que, embora um acordo que deve ser assinado ainda esta semana represente um avanço nas negociações desde o início do conflito, a AIE acredita que a plena retomada do tráfego pela principal rota marítima da região levará meses.

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A agência revisou suas estimativas e agora prevê uma queda na demanda global por petróleo de 1,1 milhão de bpd em 2026, em comparação com a previsão anterior de recuo de 420 mil bpd, impactada por preços elevados e interrupções severas na oferta.

Expectativas para o futuro da demanda e oferta de petróleo

Para 2027, a AIE espera que o crescimento da demanda retorne a 2 milhões de bpd, à medida que os fluxos comerciais se normalizem, os preços diminuam e o cenário econômico melhore. O The Wall Street Journal informou que o acordo em negociação incluiria dispensas de sanções dos EUA que afetam as vendas de petróleo iraniano, além do fim dos bloqueios no Estreito de Ormuz, embora os termos completos ainda não tenham sido divulgados.

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A AIE comentou que, apesar de os detalhes do acordo precisarem ser esclarecidos e várias questões ainda estarem pendentes, trata-se de um passo encorajador. “A recuperação total não será imediata, pois minas terão de ser removidas das principais rotas de navegação e as cadeias de suprimento levarão tempo para se normalizar”, afirmou a agência.

Impactos do conflito no setor de petróleo

O conflito, que teve início em 28 de fevereiro, paralisou a navegação no Estreito de Ormuz, onde normalmente transita cerca de um quinto do petróleo e do gás natural do mundo. Analistas do setor indicam que a normalização completa exigirá tempo devido a entraves logísticos e de segurança, incluindo o reposicionamento de navios e a reprogramação de portos.

A AIE estima que a oferta global cairá 3,9 milhões de bpd em 2026, com uma parte significativa do suprimento retida no Golfo Pérsico, antes de se recuperar em 2027. Em maio, a produção global ficou 13,6 milhões de bpd abaixo dos níveis pré-guerra, com as exportações dos produtores do Golfo recuando 1,1 milhão de bpd, permanecendo quase 15 milhões de bpd abaixo do patamar de fevereiro.

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Desafios enfrentados pelo Irã e estoques globais

Para 2027, a previsão é que a produção da Opep+ aumente 5,5 milhões de bpd, enquanto a oferta fora do grupo cresça 2,5 milhões de bpd, totalizando 8 milhões de bpd. As exportações do Irã foram particularmente afetadas pelo bloqueio americano, com uma queda de 1,4 milhão de bpd, reduzindo-se a apenas 230 mil bpd.

Parte dessa perda foi compensada pela alta nas transferências de navio para navio no Golfo de Omã, uma rota frequentemente utilizada para ocultar a origem das cargas, com volumes aumentando em maio e alcançando até 1,8 milhão de bpd no início de junho.

A redução dos estoques globais acelerou em maio, totalizando 143 milhões de barris, elevando a média de retiradas desde o início do conflito para 3,8 milhões de bpd. Os estoques governamentais da OCDE caíram 163 milhões de barris, atingindo o menor nível desde dezembro de 1990, conforme relatado pela AIE.