Agricultores em Le Havre bloqueiam porto em protesto contra o acordo UE-Mercosul. Mobilização se espalha pela França e Europa, prometendo intensificar ações!
Centenas de agricultores passaram a noite de sábado (10) na entrada do porto de Le Havre, localizado no noroeste da França. Neste domingo (11), eles montaram uma barreira para controlar a entrada de caminhões, em protesto contra o acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul, aprovado na sexta-feira (9).
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A ação, que teve início no sábado, tem como objetivo monitorar os produtos alimentares que entram e saem do porto, conforme informações da imprensa local. Os manifestantes buscam bloquear a passagem de alimentos que não atendam às normas sanitárias e ambientais exigidas dos produtores franceses e europeus.
Justin Lemaître, secretário-geral dos Jovens Agricultores de Seine-Maritime, explicou à rádio Franceinfo que a operação visa se preparar para a segunda-feira, quando se espera a chegada de cerca de 5 mil caminhões por dia no local. Ele destacou que não há “oposição direta” das forças de segurança, que observam a ação à distância.
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As manifestações estão ocorrendo em diversos pontos da França neste domingo. Em Saboia, cerca de 50 agricultores bloqueiam desde quinta-feira o depósito de petróleo de Albens, na comuna de Entrelacs. Barreiras também foram montadas nas rodovias A63, em Bayonne, e A64, em Carbonne, ao sul de Toulouse.
A mobilização na França faz parte de uma série de protestos que ocorreram na Europa nos últimos dias. Na sexta-feira, manifestações foram registradas na Polônia e na Itália, seguidas por ações na Irlanda e na Espanha no sábado.
A Federação Nacional dos Sindicatos de Exploração Agrícola (FNSEA), principal organização de agricultores do país, anunciou que continuará sua “maratona de mobilizações para obter resultados concretos”. O comunicado reconheceu alguns avanços nas negociações com o governo, especialmente em relação ao apoio a setores em crise, mas criticou a falta de medidas estruturais.
A FNSEA delineou uma estratégia em três etapas para as próximas semanas. A primeira etapa consiste em realizar controles de produtos importados nos portos e rodovias. “Se a Europa se recusa a controlar as importações, os agricultores cuidarão disso”, afirmou a FNSEA.
A segunda etapa prevê uma mobilização em Estrasburgo, com um grande protesto convocado para 20 de janeiro em frente ao Parlamento Europeu. O objetivo é continuar a luta contra o acordo UE-Mercosul, lembrando que os parlamentares têm “alavancas jurídicas e políticas” à disposição.
A terceira frente de ação envolve a apresentação de uma proposta de lei sobre soberania alimentar. A FNSEA enfatiza que os agricultores necessitam de uma visão clara da política agrícola da França para garantir a soberania alimentar. A ratificação do acordo comercial ainda depende de votação no Parlamento Europeu, com a assinatura prevista para o próximo sábado, no Paraguai.
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Com formação em Jornalismo e especialização em Saúde Pública, Lara Campos é a voz por trás de matérias que descomplicam temas médicos e promovem o bem-estar. Ela colabora com especialistas para garantir informações confiáveis e práticas para os leitores.