Agonorexia: o novo desafio da medicina brasileira! Médicos alertam sobre os riscos das canetas emagrecedoras e a perda extrema de apetite. Descubra mais!
A crescente popularidade das canetas emagrecedoras tem levado médicos brasileiros a reconhecer um fenômeno emergente na prática clínica: a agonorexia. Este termo, originado nos Estados Unidos, refere-se a uma nova condição caracterizada pela perda de apetite, semelhante à anorexia, mas causada pelo uso de medicamentos, como agonistas de GLP-1 e análogos combinados.
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Embora o conceito ainda não seja um diagnóstico oficial, sua relevância é preocupante, especialmente quando esses medicamentos são utilizados sem supervisão médica adequada. As canetas emagrecedoras, que são seringas pré-cheias com medicamentos como semaglutida (Ozempic, Wegovy, Rybelsus) e tirzepatida (Mounjaro), imitam hormônios intestinais que ajudam a reduzir o apetite e aumentar a saciedade.
Os médicos têm observado que a inibição do apetite pode se tornar tão intensa que ultrapassa o efeito desejado, transformando-se em uma condição potencialmente perigosa. O endocrinologista Clayton Macedo, do Hospital Israelita Albert Einstein, destaca que a agonorexia ainda não possui critérios diagnósticos bem definidos, mas é um efeito farmacológico extremo.
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Ele enfatiza que as canetas emagrecedoras devem ser utilizadas para tratar condições como obesidade e diabetes, dentro de um tratamento multidisciplinar. O uso inadequado ou em doses excessivas pode resultar em sérios danos à saúde. Além disso, Macedo alerta sobre a qualidade dos produtos, mencionando que alguns manipulados podem ter concentrações de compostos acima do esperado, aumentando os riscos de efeitos adversos.
O endocrinologista Renato Zilli, do Hospital Sírio-Libanês, explica que os análogos de GLP-1 corrigem desequilíbrios biológicos relacionados à fome e saciedade. No entanto, a redução excessiva do apetite pode levar a uma ingestão calórica muito baixa, o que é prejudicial.
A titulação lenta da dose, acompanhada de monitoramento, é essencial para minimizar os efeitos adversos.
Embora a agonorexia não esteja oficialmente reconhecida, sinais como perda de peso rápida, náuseas persistentes e aumento da atividade física devem ser observados. A psiquiatra Tâmara Kenski alerta que a valorização excessiva da diminuição do apetite pode ser um sinal de alerta.
A perda rápida de peso pode aumentar o risco de formação de cálculos biliares e, em casos extremos, levar a pancreatite necrotizante.
Os especialistas também estão preocupados com a perda de massa magra associada ao uso indiscriminado das canetas emagrecedoras. Macedo explica que, mesmo com a perda de gordura, parte da massa muscular pode ser comprometida, aumentando o risco de sarcopenia no futuro.
Ele alerta que essa prática pode criar uma geração com perda muscular significativa, impactando a saúde na velhice.
Para minimizar os danos, os profissionais de saúde recomendam acompanhamento médico qualificado, escalonamento de doses, suporte nutricional e programas de exercícios. A decisão sobre a continuidade ou interrupção do uso dos medicamentos deve ser feita de forma multidisciplinar, conforme enfatiza a psiquiatra Tâmara Kenski.
Macedo também critica a comercialização das canetas em um contexto puramente estético, alertando que o foco deve ser a saúde e não o lucro. Ele aconselha os pacientes a desconfiar de promessas fáceis e a buscar informações em sociedades científicas confiáveis.
Por fim, Macedo ressalta que, quando utilizadas corretamente, as canetas emagrecedoras não são perigosas. O problema reside no uso inadequado desses medicamentos.
Autor(a):
Lucas Almeida é o alívio cômico do jornal, transformando o cotidiano em crônicas hilárias e cheias de ironia. Com uma vasta experiência em stand-up comedy e redação humorística, ele garante boas risadas em meio às notícias.