
A agenda econômica desta sexta-feira (10) destaca os dados de inflação do Brasil e dos Estados Unidos referentes ao mês de março. Esses indicadores serão monitorados atentamente pelo mercado financeiro e pelos bancos centrais, que buscam entender os impactos da guerra no Oriente Médio sobre a economia global.
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No Brasil, os números do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) serão divulgados às 9h pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Às 9h30, o Departamento do Trabalho dos EUA apresentará o CPI (Índice de Preços ao Consumidor).
Natalie Victal, economista-chefe da SulAmérica Investimentos, destaca que esses dados são divulgados em um momento de intensa pressão sobre as autoridades monetárias, devido às incertezas em torno dos conflitos entre Estados Unidos, Israel e Irã. “Esperamos que os próximos números reflitam claramente os efeitos do conflito no Oriente Médio sobre os preços brasileiros, resultando em elevações que complicarão as expectativas de inflação do Banco Central”, afirma Natalie.
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As expectativas de inflação têm se deteriorado continuamente. Nos cinco dias úteis até a última quinta-feira (2), os dados já indicavam uma pressão crescente, conforme apuração do Banco Central. Após a prévia do IPCA-15, o Santander revisou suas previsões, projetando uma alta de 0,72% em relação ao mês anterior e 4% em comparação ao ano passado.
A principal fonte de incerteza nas projeções está relacionada ao aumento de dois itens voláteis: gasolina e alimentos.
Analistas e consultorias esperam que os dados desta sexta-feira reflitam claramente os efeitos da guerra. Roberto Padovani, economista-chefe do BV, prevê uma alta de 0,71% no IPCA mensal e de 3,97% no acumulado do ano, destacando alimentos e combustíveis como os principais responsáveis por essa pressão.
Além disso, itens do núcleo da inflação têm apresentado surpresas altistas, conforme aponta Ederson Schumanski, do BTG Pactual.
Schumanski observa que o processo de desinflação iniciado no ano anterior começa a mostrar sinais de estabilização, com a alimentação no domicílio pressionando os preços, especialmente produtos in natura e proteínas. Ele ressalta que a guerra pode impactar os preços a longo prazo, com riscos que antes eram assimétricos agora se tornando altistas. “O preço do petróleo no nível atual pode influenciar nossas projeções para o ano”, acrescenta.
Outros componentes que devem apresentar alta na leitura de inflação incluem bens industriais, vestuário e energia elétrica. A consultoria 4intelligence também aponta que reajustes mais fortes de energia elétrica e aumento da tributação sobre cigarros podem impactar as leituras ao longo do ano.
O cenário atual sugere que a inflação pode permanecer acima do limite superior da meta de 4,5% por mais de seis meses, afetando a política monetária do Banco Central.
O principal indicador de preços nos Estados Unidos, o PCE, ainda não incorporou o impacto da guerra no Oriente Médio, conforme Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad. Ela destaca que o PCE de fevereiro não capturou o choque mais amplo do fechamento de Ormuz, reforçando a ideia de que o Fed opera em um ambiente de “inflação residual”.
Os dados do CPI de março devem apresentar resultados mais fortes.
Padovani ressalta que os preços de energia e combustíveis devem pressionar o índice, refletindo o impacto do conflito. O consenso do mercado projeta um CPI geral em torno de 1% na base mensal para março, a maior variação em um ano, com o núcleo em torno de 0,3%.
Na base anual, o CPI geral deve ficar próximo de 3%, ainda acima da meta de 2% do Fed.
Autor(a):
Ana Carolina é engenheira de software e jornalista especializada em tecnologia. Ela traduz conceitos complexos em conteúdos acessíveis e instigantes. Ana também cobre tendências em startups, inteligência artificial e segurança cibernética, unindo seu amor pela escrita e pelo mundo digital.
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